ABGR ESTUDA FORMAS DE PROTEÇÃO DOS RISCOS

Gestores de risco da ABGR olham outras alternativas de proteção, como cativas e ILS

Fonte: Sonho Seguro

A concentração do mercado segurador em poucas companhias é um dos temas que mais incomoda a presidente da Associação Brasileira de Gerenciamento de Riscos (ABGR). “Começou com resseguro, depois seguros e agora corretores, como vimos recentemente a aquisição da corretora JLT pela Marsh”, citou a presidente da ABGR, Cristiane França Alves, também gestora de riscos da CSN, durante coquetel para divulgação do evento da entidade que acontece em 12 e 13 de novembro, em São Paulo, e tem como slogan “A gestão de riscos e o desenvolvimento sustentável nos negócios”.

Segundo ela, o objetivo da associação é manter uma conversa aberta com o mercado segurador. “O setor entrou num ciclo “hard” com a concentração de resseguradoras, seguradoras e agora também corretores. Sentimos um aperto de taxas e de condições e estamos avaliando outras formas de mitigar riscos, como cativas e fundos ILS ( Investimento Ligado a Seguros)”, citou ao blog Sonho Seguro.

Praticamente todas as maiores corretoras de seguros do mundo, como Marsh, Aon, Willis, MDS entre outras, administram corretoras e seguradoras cativas. Quanto ao ILS, no Brasil a notícia é que em fevereiro de 2018 a Terra Brasis renovou, em conjunto com a AlphaCat Managers Ltd, a colocação no exterior do primeiro ILS patrocinado por uma companhia brasileira, transação inovadora que desperta a discussão sobre a utilização de soluções baseadas no mercado de capitais para as exposições de riscos catastróficos da região. 

Outra preocupação de Cristiane é com as perdas das seguradoras com a temporada de furacões nos Estados Unidos. “Dependendo das perdas, o mercado pode se tornar ainda mais restritivo e isso nos traz desafios para colocação dos programas de seguros das nossas associadas”, citou.

Capital de sobra – Do ponto de vista de resseguros, capital tem de sobra para o Brasil. Recentemente, o presidente local da subsidiária da Munich Re, Rodrigo Belloube, segunda maior resseguradora do mundo, citou em palestra na Conseguro, que há capacidade suficiente de capital para o Brasil, mas algumas premissas devem ser observadas. “Há oferta abundante de capital no mundo para o país, mas algumas exigências precisam ser cumpridas. As resseguradoras movimentam US$ 250 bilhões no mundo e o Brasil representa menos de 1%. São mais de US$ 500 bilhões em equity e outros US$ 100 bilhões em capital alternativo disponíveis para projetos no mundo, para diversificar investimentos”, explicou.

Na visão do ressegurador, há algumas variáveis para que contratos sejam atraentes para o setor. A primeira delas é a questão ambiental. “Existe hoje uma preocupação muito grande em relação a cobrança da sustentabilidade das empresas. Isso tem ganhado força no Brasil devido aos os acidentes dramáticos que tivemos recentemente como com as barragens de Mariana (MG) e de Brumadinho (MG)”, citou Belloube.

Outro ponto avaliado foi sobre quem poderia atuar no desenvolvimento da infraestrutura no Brasil depois do que aconteceu com as grandes construtoras com as investigações Lava Jato. Nas obras médias, segundo ele, têm se resolvido. Mas nas obras complexas são exigidos itens como a experiência em projetos semelhantes e garantias de estabilidade financeira.

O papel do BNDES no funding dos projetos é outra questão relevante para o ressegurador. Quem preenche esse lugar e quais as necessidades de seguro? “Essas são questões importantes para o mercado internacional avaliar para ingressar em contratos de infraestrutura, por exemplo”, informou. “O Brasil precisa se alinhar a práticas internacionais, evitando elementos heterodoxos, para que seguro e resseguro sejam mais atraentes e relevantes na estruturação de garantias”.

EDUCAÇÃO – Quem quiser entender mais desses assuntos pode acessar o livreto “Os desafios da gestão de riscos” publicado pela corretora MDS, escrito por Jorge Luzzi. O livreto faz parte da coleção “Keep it Simple”, de textos curtos e objetivos sobre temas relevantes do setor de seguros e riscos. “Temos a missão de produção e partilha de conhecimento. Na maioria dos casos, os autores são do próprio grupo MDS”, explicou Ariel Couto, presidente da corretora no Brasil.

   

EXPO ABGR – Dados da ABGR mostram que a associação tem hoje 400 associadas, 200 a menos das que tinha há três anos. A ABGR contratou a empresa Bethe B, para idealizar e promover a transformação da associação em seu projeto de reposicionamento institucional. “A ideia foi trazer para o evento uma discussão atua seguindo a lente da ONU que sugere uma agenda voltada para os 17 pontos principais para a segurança do planeta, os quais são chamados de Objetivos do Desenvolvimento Sustentável”, explica Izabel Barbosa, diretora da Bethe B. A expectativa da associação é que a EXPO ABGR, que acontece paralelamente ao evento reuna mais de 3 mil participantes, entre inscritos, convidados, empresas consumidoras, personalidades e profissionais do mercado.

Judicialização custa caro

Por Antonio Penteado Mendonça, no Estadão

O Brasil sofre, já faz vários anos, uma epidemia de judicialização de diversas questões, versando sobre todos os assuntos, a favor ou contra, além do muito pelo contrário. Especialistas, baseados em estatísticas oficiais dos tribunais pátrios, falam em mais de 125 milhões de ações em andamento. Só o Estado de São Paulo tem mais de 40 milhões de processos ativos. E os demais Estados mantêm mais ou menos a mesma proporção absurda de um processo para cada dois habitantes, o que, estatisticamente, significaria dizer que todos os brasileiros são parte em pelo menos um processo.

Este uso excessivo do Poder Judiciário como solucionador de problemas de todas as naturezas (o Supremo Tribunal Federal tem de julgar ações de condomínio e outras do gênero) tem como consequência a morosidade da Justiça. Algumas demandas levam mais de 20 anos para serem decididas e outras estão nas prateleiras dos tribunais há coisa de 70 anos.

Diz o desembargador José Renato Nalini que justiça que tarda não é justiça. O processo judicial existe para, dentro de um prazo razoável, levando em conta as tipicidades de cada processo, solucionar demandas e dar ao vencedor o uso do seu direito.

Se um processo incrivelmente complexo se arrasta por décadas, é provável que alguma coisa esteja errada. Mas quando o caso de uma simples batida de veículos, sem vítimas, leva mais de oito anos para chegar ao fim, com certeza alguma coisa está errada.

Essa é a realidade brasileira. E o melhor exemplo é que até os processos desenhados para serem rápidos, como os que tramitam pelos Juizados Especiais, demoram mais de cinco anos.

Será que alguém que espera cinco anos para receber a diferença do valor de um liquidificador está tendo justiça? E se, depois dos cinco anos, ele, ainda por cima, perder a demanda? A mesma pergunta vale para quem teve o para-lama do carro amassado numa batida com um ônibus. Será que receber a indenização oito anos depois resolverá o problema do conserto do veículo? Justiça que tarda não faz justiça, apenas minora um drama.

O uso do Judiciário para resolver problemas pode se transformar num problema maior ainda. Nenhum advogado pode assegurar ao cliente que vai ganhar uma ação. Por isso o quadro se agrava muito quando o autor (que tinha quase certeza de que ganharia a ação) descobre que perdeu e tem de pagar as custas e os honorários.

Curiosamente, em termos proporcionais, o setor de seguros não é um campeão de ações judiciais, mesmo tendo os planos de saúde dentro dele. Se dividirmos o número de processos pela quantidade de segurados, ou mesmo de apólices de seguros, o número de ações judiciais, de todas as naturezas, não chega a 2% do total.

Se, de um lado, apenas os planos de saúde privados autorizam mais de um bilhão e meio de procedimentos por ano, de outro, o número de processos envolvendo assuntos relacionados a seguros está na casa de algumas dezenas de milhares.

O problema é que esse número relativamente baixo é dramático para quem está envolvido num processo judicial que se arrasta por anos, discutindo um caso em que ele tem razão.

Com muitas ações em andamento, as seguradoras também vivem uma situação que não lhes é interessante. Há o custo administrativo desses processos, há o custo com advogados, mas há, principalmente, o custo com as reservas que necessitam ser constituídas e que bloqueiam recursos da companhia pelo prazo que as ações durarem.

E, mais relevante, há a possibilidade concreta da criação de jurisprudência que não lhes seja favorável.

Se o cenário é ruim para o segurado e para a seguradora, então qual é a solução? Ela existe e tem nome. Grande parte dos problemas envolvendo seguros poderia ser solucionada através de processos de mediação. A solução extrajudicial de conflitos é muito mais rápida, simples e barata do que um processo judicial. E a mediação pode se adequar perfeitamente à solução da maioria dos conflitos envolvendo seguros. É mais do que tempo da mediação começar a ser utilizada. Com ela, ganham todos.

________________________________________________

Companhias conseguem baixar custo com saúde

O Valor Econômico relata que, nos últimos anos, com o aumento desenfreado na conta do plano de saúde, as empresas que concedem o benefício aos seus funcionários trocaram de operadora, reduziram a rede credenciada ou aumentaram a coparticipação para controlar essa despesa. No entanto, são medidas paliativas porque a conta do convênio médico volta a subir.

Neste ano, a estimativa é que o plano de saúde empresarial tenha um reajuste médio de 17%. Diante desse cenário, empresas como AmbevFundação Zerrenner, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, GE, McDonald’s, Pirelli e Santander passaram a gerenciar diretamente a saúde dos seus funcionários e respectivos dependentes. Todas conseguiram reduzir significativamente o gasto com o convênio médico e, em alguns casos, hoje pagam menos do que desembolsavam há cinco anos.

É o caso da Ambev-Fundação Zerrenner que, em 2014, gastava R$ 350 milhões com o convênio médico dos funcionários da cervejaria e hoje tem uma despesa de R$ 260 milhões. Neste valor, está a conta do convênio e também de outras ações adotadas para melhorar a saúde dos empregados.

“Se continuássemos na curva de crescimento de gastos que tínhamos em 2014, nós seríamos obrigados a vender patrimônio em 2022 para arcar com o plano de saúde”, disse Edson Carlos De Marchi, diretor executivo da Fundação Zerrenner, acionista da Ambev. A fundação é quem paga o convênio médico da cervejaria, que possui uma carteira com 75 mil usuários entre funcionários, dependentes e aposentados.

As companhias que conseguiram ir na contramão do mercado têm em comum algumas práticas. Por exemplo: investem em atenção primária, têm ambulatórios próprios, fazem gestão de dados da saúde dos funcionários, criaram convênios médicos com uma rede credenciada modelada conforme as necessidades de seus empregados, investem em programas de saúde e, não raras às vezes, arcam com procedimentos médicos de alto custo que não estão cobertos pelos planos de saúde.

O uso de inteligência de dados foi adotado pelo McDonald’s que gastava cerca de R$ 11 milhões com partos e UTI Neonatal, por ano. A rede de lanchonetes tem 40 mil usuários de planos de saúde, sendo uma parcela importante de jovens. Cada parto custava em média R$ 90 mil.

“Fizemos uma análise de dados e detectamos que os maiores gastos ocorriam nas gestantes que faziam menos de quatro consultas de pré-Natal. Criamos uma ação com as grávidas que passaram, por exemplo, a ter isenção da coparticipação nas consultas. O custo com internações de grávidas caiu para R$ 3 milhões”, disse Murilo Wadt, cofundador da HealthBit, startup de gestão de saúde que presta serviços ao McDonald’s.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) tem desde o ano passado um grupo de trabalho formado por 68 fabricantes que tratam especificamente do tema plano de saúde. Segundo Emmanuel Lacerda, gerente executivo de saúde e segurança do trabalho do Sesi, braço da CNI, um dos avanços deste grupo foi obrigar a ANS a realizar estudos mostrando a efetividade de medicamentos e sua viabilidade econômica na inclusão de novos procedimentos médicos obrigatórios.

Fonte: