Cyber Risks no Tesouro Estadunidense

14, Dez. 2020

Tesouro dos EUA sofre ataque de hackers apoiados por governo estrangeiro

O governo Trump informou que está tomando medidas para identificar os responsáveis. Especialistas acreditam que a invasão possa ter sido apoiada pelo governo russo.

Fonte: G1 / Reuters

O governo Trump reconheceu neste domingo (13) que um grupo de hackers, supostamente apoiado pelo governo russo, de acordo com especialistas federais e privados - invadiram redes do Departamento do Tesouro e a Administração Nacional de Telecomunicações e Informações do Departamento de Comércio.

O governo teme que o ataque tenha atingindo outros setores governamentais.

Segundo informações do jornal New York Times, uma série de investigações estão em andamento para determinar se outras partes do governo sofreram ataque.

Em coletiva de imprensa, John Ullyot, o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, informou que está tomando medidas para identificar e remediar quaisquer possíveis problemas relacionados a esta situação.

De acordo com a Reuters, um funcionário do governo informou que ainda não é possível dizer o quão prejudiciais foram os ataques recentes e quanto material foi perdido. O Conselho de Segurança Nacional teria se reunido no sábado (12) na Casa Branca para tratar sobre o assunto.

Segundo a Reuters, os e-mails da equipe do Departamento de Comércio foram monitorados pelos hackers durante meses.

Economistas debatem os desafios da retomada do emprego

Fonte: CNseg / Sonho Seguro

Emprego e renda, duas variáveis afetadas pela pandemia e estratégicas para o setor de seguros, precisam recuperar a trajetória positiva. Quais os caminhos para os severos danos produzidos? A convite da Revista de Seguros, três especialistas refletem sobre o tema: os economistas Marcos Hecksher (Ipea), Hélio Zylberstajn(USP) e Sérgio Vale (MB Associados).

É preciso criar um ambiente convidativo para o investimento privado. E, se isso acontecer, teremos décadas de intenso crescimento, puxado pela infraestrutura, assinala Hélio Zylberstajn.

A retomada do crescimento, portanto, é única saída para a crise do emprego e renda. Grave e desigual. É a primeira vez nos últimos trinta anos que a maioria das mulheres está fora da força de trabalho. Algumas das ocupações e atividades mais afetadas têm predominância feminina, destaca Marcos Hecksher Ipea.

Com medo do cenário, os brasileiros relacionam-se com os hábitos de consumo em dias de enormes incertezas. Dizem que o brasileiro está poupando mais e que sobrará dinheiro para consumir. Mas muitos estão poupando até como efeito do desemprego, pelo receio do que vem pela frente, concorda Sérgio Vale.

Na entrevista da Revista de Seguros nº 914, disponível no portal da CNseg, os números demonstram o tamanho do desafio:  a pandemia trouxe mais de 13 milhões de desempregados. A taxa de desocupação subiu para 13,8% no trimestre encerrado em julho, contra 11,8% no mesmo período de 2019. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), trata-se da maior taxa da série histórica, iniciada em 2012.

Zurich compra carteira de auto e residência da MetLife nos EUA por US$ 3,94 bilhões

Fonte: Reuters

A Zurich Insurance concordou em comprar os negócios de seguros patrimoniais da MetLife nos EUA por US$ 3,94 bilhões, disseram as seguradoras nesta sexta-feira, depois que a pandemia COVID-19 tornou as seguradoras de automóveis e residências mais lucrativas.

As seguradoras de automóveis e residências tiveram uma sorte inesperada, pois as restrições do governo para conter a propagação da infecção reduziram o número de pedidos de indenização por acidentes e roubos. As seguradoras, como a Zurich, por outro lado, têm enfrentado reclamações pesadas de cancelamento de eventos e lucros cessantes, com taxas de prêmio em alta.

É uma aquisição que complementa muito bem o que vemos no lado comercial, onde o mercado está endurecendo, disse o CEO da Zurich, Mario Greco, em uma teleconferência para a mídia. A seguradora suíça contribuirá com US$ 2,43 bilhões para o negócio por meio de sua unidade Farmers Group Inc (FGI), enquanto a Farmers Exchanges contribuirá com US$ 1,51 bilhão.

O negócio dará a Farmers Exchanges, para a qual a FGI fornece certos serviços administrativos e de gestão, uma presença nacional nos Estados Unidos e acesso a novos canais de distribuição, disse Zurich. Isso também ajudará a Zurich a cumprir suas metas de crescimento para 2022.

O diretor financeiro George Quinn disse que as metas da seguradora não dependiam de aquisições, mas podem acelerar o que estamos procurando alcançar. O presidente e CEO da MetLife, Michel Khalaf, disse que a venda permitiria à seguradora de vida se concentrar em nossos principais pontos fortes.

O negócio é o mais recente do setor. A Tryg da Dinamarca e a Intact Financial do Canadá estão comprando a seguradora imobiliária britânica RSA, e a Sampo da Finlândia e a Rand Merchant Investment da África do Sul estão comprando a Hastings da Grã-Bretanha.

Os analistas da KBW consideraram a transação um grande negócio estratégico, mas reiteraram sua classificação de desempenho inferior para as ações. O negócio da MetLife a ser adquirido inclui 2,4 milhões de apólices, US$ 3,6 bilhões de prêmios emitidos líquidos em 2019 e 3.500 funcionários.

A Zurich disse que queria financiar a parte da FGI no negócio por meio de uma combinação aproximadamente igual de recursos internos e dívida híbrida. A conclusão da transação está sujeita a aprovações regulatórias e está prevista para ocorrer no segundo trimestre de 2021.

Caixa deve ficar com a gestão do seguro DPVAT

O governo prepara uma medida provisória (MP) para permitir a contratação direta do banco estatal pela Susep, diz jornal

Fonte: O Globo

A gestão do seguro que donos de veículos são obrigados a pagar anualmente para garantir recursos para indenizar vítimas de acidentes de trânsito, o DPVAT, deve ficar nas mãos da Caixa Econômica Federal. O governo prepara uma medida provisória (MP) para permitir a contratação direta do banco estatal pela Superintendência de Seguros Privados (Susep).

A ideia de deixar a gestão do DPVAT com a Caixa partiu da própria Susep. O banco público deve ficar responsável pela gestão dos recursos do seguro e o pagamento das indenizações.

E necessário uma decisão urgente sobre o assunto por conta da extinção do consórcio de empresas que administravam o seguro, que ocorreu no mês passado, após a Líder - uma das seguradoras que integravam o grupo ter sido notificada pela Susep a devolver R$ 2,2 bilhões referentes a despesas irregulares pagas com recursos públicos do seguro, no período de 2008 a 2020.

O presidente Jair Bolsonaro tentou extinguir o DPVAT por meio de uma MP em novembro de 2019, mas a medida foi suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Após a decisão, a Susep reduziu o valor do seguro para 2020 em mais de 60%.

Neste ano, proprietários de carro de passeio e táxi pagaram R$ 5,21 pelo seguro - redução de 68% - enquanto proprietários de motos pagaram R$ 12,25, uma queda de 86%.

A extinção do consórcio de seguradoras passa a valer a partir de l 9 de janeiro do ano que vem, quando a Caixa assumirá a gestão do DPVAT.

A decisão de entregar a gestão para a Caixa foi tomada considerando a presença do banco em todo o país, a capilaridade e a estrutura da instituição financeira.

Ainda há cerca de R$ 7 bilhões na conta do DPVAT, de acordo com fontes que acompanham o assunto. A intenção da Susep é usar esse dinheiro para reduzir o valor do seguro obrigatório a zero pelos próximos dois anos, mas mantendo o pagamento das indenizações por meio do banco estatal.

Técnicos da equipe econômica esperam que o fim do consórcio abra a discussão sobre a extinção do próprio DPVAT no formato atual. Para membros do Ministério da Economia, o seguro obrigatório é gerido em esquema de monopólio e é pouco eficiente, com recursos sendo usados para fins diversos do objetivo original.

A Susep decidiu pedir a devolução de dinheiro do consórcio que administrava o DPVAT depois que detectou que parte do dinheiro arrecadado estava sendo usado para o pagamento de de multas (judiciais ou administrativas), festas de fim de ano, viagens, hospedagens e consultoria sobre oportunidades de negócios no mercado, entre outras situações.

A superintendência acredita que ao transferir a gestão para a Caixa, estará evitando esses problemas.

O arrastão na Cracolândia e os prejuízos causados aos veículos

Fonte: CQCS

Dependendo da seguradora, os danos causados aos veículos segurados, motoristas e passageiros durante o arrastão na região conhecida como Cracolândia, no centro de São Paulo, nesta terça-feira (08), podem não ser indenizados. Os arrastões que resultam em carros incendiados e danificados criminosamente por traficantes de drogas e usuários podem ser interpretados por algumas seguradoras como riscos excluídos de pagamento de indenização do seguro de automóvel, alerta o corretor de seguros e advogado  Dorival Alves de Sousa, vice-presidente de Marketing da Fenacor e diretor do Sincor-DF, para que em casos assim, o arrastão pode ser interpretado como sendo um assalto coletivo.

No entanto, ele avalia que não há como as seguradoras negarem a cobertura neste caso, principalmente pelo reflexo social diante dos relatos das vítimas.

Apesar disso, conceitualmente, ele comenta que seria preciso interpretar ao pé da letra a aplicabilidade das cláusulas das Condições Gerais do seguro automóvel uma vez que na Cobertura Básica, a garantia para a Cobertura Compreensiva conhecida popularmente como seguro total, contempla como riscos cobertos os Atos Danosos, praticados por terceiros.

Mas, diante do contido na cláusula de Exclusão deparamos com os prejuízos não indenizáveis pela seguradora, quais sejam, os decorrentes de quaisquer perturbações da ordem pública, tais como tumultos, motins, greves de empregados, paralisações de empregadores, entre outros e, algumas seguradoras, por entenderem que tais arrastões podem ser pontuais ou não e após análise de cada caso isolado, podem negarem cobertura para os veículos segurados que foram danificados diante dos ataques dos usuários e traficantes de drogas.

O entendimento básico e de boa fé seria de que se trata de atos danosos, praticados por terceiros, conforme contido nas condições gerais do seguro do seguro automóvel quando da contratação da garantia compreensiva, conhecida popularmente como seguro total, acrescenta o corretor e advogado.

O Dr. Dorival ressalta, contudo, que diante de se tratar de um fato com repercussão internacional a expectativa do mercado de seguros e da própria sociedade é que todos os veículos segurados e danificados e que os seus proprietários tenham contratado a garantia compreensiva, os prejuízos sejam indenizados.

Após listar alguns tipos de prejuízos não indenizáveis pelas seguradoras no contrato de seguro de automóvel, incluindo perturbações da ordem pública, atos de vandalismo, discussões, brigas e agressões físicas, Dorival Alves de Sousa destaca que, no caso do arrastão na Cracolândia, o pagamento da indenização do seguro somente será concretizado para os segurados que tenham contratado o seguro automóvel com a cobertura compreensiva, colisão, incêndio e roubo.

Para os proprietários de veículos que não contrataram uma apólice de seguro a sugestão é recorrer ao poder judiciário e ajuizar uma ação em desfavor da Prefeitura de São Paulo.

Energia elétrica

Ministro do STJ mantém obras para viabilizar transferência de energia elétrica no PR

Pedido foi feito pela União, Estado do Paraná e uma empresa do ramo de transmissão de energia.

O ministro Humberto Martins, do STJ, decidiu manter obras de empreendimento que visa sanar a deficiência de abastecimento de energia no Paraná. O pedido foi feito pela União, Estado do Paraná e uma empresa do ramo de transmissão de energia, contra decisão que determinou a paralização das obras.

Em 2013, o poder Público Federal constatou que o Estado do Paraná apresentava problemas de tensão relacionados à deficiência de instalações voltadas a viabilizar o escoamento (transferência) de energia elétrica.

A empresa vencedora da licitação para as obras, a empresa Gralha Azul Transmissão de Energia, deu início às construções em setembro de 2019, mas teve de parar o trabalho em razão de decisão do juízo da 11ª vara Federal de Curitiba, que determinou que a concessionária se abstivesse de adotar qualquer medida tendente à supressão vegetal em razão de supostas irregularidades no processo de licenciamento ambiental.

As partes contestaram a decisão ao STJ, sustentando que os empreendimentos foram devidamente autorizados pelo órgão ambiental estadual e demais entidades intervenientes, não existindo quaisquer elementos, sequer indiciários, aptos a indicar que houve qualquer irregularidade nos processos administrativos de licenciamento ambiental.

Ao analisar o caso, o ministro presidente Humberto Martins considerou que estaria caracterizada a lesão à ordem pública na medida em que o Judiciário altera as regras de um setor altamente marcado por rigorosos critérios técnicos, sem possuir a legitimidade atribuída ao órgão regulador.

O longo caminho percorrido pelas instituições públicas envolvidas, com sua expertise no setor elétrico e no setor ambiental, até chegar à solução desenhada, não pode ser substituído pelo juízo sumário próprio das decisões tutelares, sob pena de causar embaraço desproporcional ao exercício estável da atividade administrativa, com possível ocorrência de efeito multiplicador que leva a um perigoso desequilíbrio sistêmico do setor.

Para o ministro, o Ibama analisou o projeto e chegou à conclusão técnica da desnecessidade de sua atuação, não podendo, portanto, o Judiciário substituir-se à decisão técnico-administrativa autônoma e independente da autarquia Federal.

Assim, deferiu o pedido para sustar os efeitos da decisão do TRF-4.

O advogado atuante no caso, Rafael Carneiro, do Carneiros e Dipp Advogados, comentou a decisão. Para ele, permite a retomada de empreendimento prioritário para a matriz energética brasileira em tempos de apagão.

A empresa conta com todas as licenças ambientais necessárias, além da anuência de todos os demais órgãos competentes. As licenças foram emitidas após um processo que durou cerca de dois anos, com participação ampla de órgãos técnicos e da sociedade. A liminar criou um conflito inexistente entre órgãos administrativos, suspendeu obras em estágio avançado sem qualquer fato novo e ainda por cima não indicou qualquer dano que justificasse a medida, resultando em atraso de obras e demissões.

Processo: SLS 2.853

Fonte: Migalhas

Avaliação Patrimonial & Análise do Risco

A arte de avaliar um clube de futebol e os segredos do valuation

No futebol, virou moda vermos relatórios de valuation de clubes. Mas esses processos são muito mais complexos do que simplesmente criar uma regra e aplicá-la a todo mundo, especialmente no futebol.

Na década de 1990, Silvio Santos usava um bordão no programa dominical Show de Calouros para animar a plateia, repetindo-o insistentemente: Quanto vale o show?, dizia o mito da TV, dando início às avaliações de jurados tão míticos quanto o apresentador.

Assim como as avaliações de Pedro de Lara, Décio Piccinini e Aracy de Almeida poderiam ser completamente diferentes, no mundo dos negócios temos uma espécie de show de calouros recorrente, que são as avaliações de negócios, o famoso valuation.

Seja para construir um processo de fusão ou aquisição entre empresas, seja para apontar quanto deveria valer uma determinada ação em bolsa de valores, ou até para atribuir valor a uma startup que está buscando investidores, tudo passa por um punhado de análises para dizer quanto vale aquele show, digo, aquela empresa.

No futebol nosso de cada dia, virou moda vermos relatórios de valuation de clubes, como uma tentativa de se antecipar a um possível boom de negócios envolvendo a transformação de clubes em empresas.

Sem querer ensinar a oração ao vigário, processos de valuation são muito mais complexos do que simplesmente criar uma regra e aplicá-la a todo mundo, especialmente no futebol.

Primeiramente, precisamos aceitar uma realidade: não existe modelo único de valuation, nem para o setor corporativo, e muito menos para o futebol. Aliás, no futebol existe um grande debate sobre o modelo de valuation, e ele está longe de ser encerrado.

Um paper de Tom Markham, da Universidade de Reading, chamado What is the optimal method to value a football club?, traz uma enorme contribuição ao debate.

O artigo aponta os diversos modelos existentes, aplicando-os aos clubes da Premier League e chega a resultados muito diversos, que mostram o tamanho do desafio que é avaliar um clube de futebol.

Outro paper que contribui para esta discussão é a tese de Thomas Boccanegra, da Universidade Ca’ Foscari de Veneza, chamado Sports Business: la valutazione delle società di calcio professionistiche, em que o autor também aponta diversos métodos de avaliação, contrapondo-os e concluindo que não há modelo único e perfeito.

O que isto significa? Isto quer dizer que toda vez que você se deparar com um estudo apontando um valor de mercado a partir de um modelo específico ele será apenas uma indicação, quase uma curiosidade, e nada além disso.

A avaliação de valor de um clube de futebol demanda uma composição de itens que precisam ser corretamente calibrados. Ainda assim, isoladamente eles não garantem o melhor resultado.

Primeiro, resumindo os principais modelos de valuation, temos:

DCF (Discounted Cash Flow), ou Fluxo de Caixa Descontado: é o modelo mais tradicional de avaliação de empresas. Ele considera que você projetará os fluxos de caixas futuros e trará seu resultado a valor presente por meio de uma taxa de desconto (WACC), que é o custo médio do capital.

Múltiplos: a partir de vários negócios e avaliações chega-se a um múltiplo que, aplicado à receita, representa o valor do clube. No caso do futebol, ele é aplicado às receitas, porque grande parte dos clubes não tem EBITDA (geração de caixa) positiva.

Valor de Liquidação: para clubes em situação falimentar. Trata-se de somar os ativos e reduzir os passivos, de forma simples e direta, pois o fluxo de caixa já não existe mais.

Modelo Múltiplo: é aquele que combina aspectos de todos os demais. Por exemplo, Tom Markham desenvolveu um modelo que combina receitas, ativos, lucro líquido, capacidade do estádio e custo com pessoal. É uma tentativa.

No paper de Markham, ele apresenta alguns resultados que evidenciam as discrepâncias:

As diferenças chegam a ser de 3 vezes entre os extremos, e na média é de 2,2 vezes. Ou seja, a depender do modelo o valor pode ser completamente diferente.

No paper, há uma menção ao modelo que a revista Forbes faz, mas optei por não considerá-lo pois trata-se de uma soma de imperfeições, que consideram aspectos não financeiros, como um valor de marca e especialmente valores dos estádios.

Há casos em que a revisão incluiu um estádio sem ele ser do clube, assim como não considera as dívidas, como no caso da Neo Química Arena. Infelizmente há quem dê atenção.

Análise e Recomendações

Algumas coisas parecem funcionar bem, enquanto outras são apenas tentativas sem sentido. A verdade é que existem algumas regras que precisam ser respeitadas ainda antes de fazer um valuation:

Nunca use um modelo único. Especialmente num mercado que ainda nem existe, como o do futebol, utilizar mais de um modelo é importante para testar a consistência das avaliações.

Cuidado com a qualidade da informação. Há uma expressão conhecida para quem trabalha com modelos que é Garbage in, garbage out, ou seja, se entra lixo, sai lixo. O melhor e mais preciso modelo só funcionará se as informações que forem utilizadas forem corretas. A análise preliminar é, portanto, fundamental.

Cuidado com a dupla contagem. Há um risco na construção de modelos híbridos (os multimodelos) ao se contar duas vezes algumas receitas. No modelo de Markham, por exemplo, utilizar a capacidade do estádio e o total de receitas pode significar estar dando peso adicional ao matchday, enquanto usar lucro, receitas e custos salariais pode indicar redundância. Modelos precisam ser equilibrados, ainda que precisem de testes de consistência.

Evite a inovação inócua. Os modelos precisam de elementos exclusivos de cada setor. E cada vez mais é fundamental usar informações que estejam fora dos elementos tradicionais. Mas cuidado, porque invenções custam caro e podem incorrer no tema anterior da dupla contagem.

Usar valor do elenco e valor da marca pode ser legal para dizer que o modelo é completo, mas tende a ser inócuo, à medida que comprar um clube não se trata de custo de reposição. Não existe a possibilidade de comprar um clube ou montar um do zero, mas sim de comprar o clube A ou o clube B, e os elencos têm prazo, medidos em tempo remanescente de contrato, e ninguém vai vender 100% do elenco.

Ou mesmo a questão do valor da marca. Afinal, este valor já está dado em diversos aspectos econômico-financeiros, como receitas de TV, bilheteria, marketing. São receitas associadas ao tamanho da torcida e à capacidade que a atual gestão tem de transformar a marca e sua relação com os torcedores em dinheiro.

Nem entro no fato de que as análises precisam ser feitas a partir de dados efetivos, uma avaliação destacada de cada clube. Análises em lote costumam ignorar que cada clube é um clube, que cada clube possui um valor e um potencial diferente do outro.

O que vale para o Brasil?

Precisamos desenvolver um modelo eficiente que seja referência. Nesse sentido, as possibilidades que vêm sendo aplicadas são válidas enquanto curiosidade, mas precisam ser tratadas de forma mais cuidadosa, à medida em que acabam gerando distorções de mercado. Pois quem vê o número seco passa a ter uma referência.

Um modelo referência deveria ser multimodelo e estar baseado no DCF adaptado. E por que adaptado?

Por conta das características intrínsecas à indústria do futebol brasileiro:

a) dependência de receitas não recorrentes e dificuldade em projetar as receitas variáveis: muitos clubes possuem EBITDA recorrente negativo que é coberto por venda de atletas. Além disso, diferentemente de indústrias tradicionais, no futebol a receita não é uma questão de quantidade x preço, mas de desempenho, que aumenta premiações e presença de público no estádio.

b) Futebol não é uma atividade para se ter lucro enquanto teoria de retorno do capital investido. Cada real que se tira do clube significa menos competitividade na temporada seguinte.

c) Não dá para usar valor de atletas sem conhecer o valor efetivo. O avlor de negociação de um atleta é sua multa contratual. Logo, primeiro passo é conhecer o valor real que o elenco vendido pode gerar. Depois, analisá-lo em relação ao prazo de contrato. Por fim, atleta vendido é elenco fragilizado, e a venda tem que ser feita com parcimônia e não acontece o tempo todo. Logo, o valor do elenco no tempo está associado ao histórico de vendas que o clube consegue fazer, e não ao valor do elenco que um terceiro indica.

d) Não dá para usar valor do estádio ou de outros ativos. O clube não vai vender esses ativos, exceto se estiverem fora da operação. E, de novo, não é uma questão de reposição, pois se um clube vai começar do zero, ele não precisa de um estádio enorme. Além do que, como vimos no caso da renegociação da dívida da Neo Química Arena entre Corinthians e Caixa, ativos como estádios não tem valor comercial, pois só servem ao clube. Servem sim para agregar receita, desempenho esportivo, e só.

e) Valor de marca também tem que ser avaliado sob a capacidade que a marca tem de fazer receitas. O potencial de receitas está atrelado à marca e ao tamanho da torcida, mas essencialmente à capacidade de gestão desses dois fatores em conjunto com a gestão esportiva. No Brasil, consumo de clube está associado a resultados, exceto em casos específicos, que já estão presentes nas receitas de sócio torcedor, de direitos de pay-per-view, marketing.

f) De qualquer forma, avaliar potencial de marca, torcida, engajamento, estrutura operacional é parte do modelo híbrido, mas não parece razoável ser o mais relevante em nenhum clube. Afinal, ou a gestão atual é capaz de extrair o melhor disso tudo e já contemplar nas receitas, ou então este hidden value precisa ser desenvolvido, e consequentemente vira ganho de quem mudou as estruturas e maximizou o potencial do clube. Ou seja, fluxo de caixa futuro.

No final, nunca dá para cravar que o show vale 10 paus, mas sempre que ele vale entre 5 e 15 paus se chega ao momento mais bacana e tenso nesses processos, que é a negociação entre as partes.

Porque o show tem valor, mas é preciso girar os pratos, agradar os jurados e só depois passar no caixa.

Fonte: InfoMoney

Caso Vale X Brumadinho volta a discussão entre os parlamentares

A comissão externa da Câmara dos Deputados criada para acompanhar as negociações entre a mineradora Vale e o governo de Minas Gerais, acerca do desastre provocado pelo rompimento de uma barragem em Brumadinho (MG), promove nesta segunda-feira reunião virtual com todos os órgãos envolvidos no caso. O encontro será às 14 horas, no plenário 7.

O relator da Comissão Externa da Câmara dos Deputados que acompanha a negociação entre a mineradora Vale e o governo mineiro para pagamento de indenizações às vítimas da tragédia de Brumadinho, deputado Rogério Correia (PT-MG), se reuniu em 27 de novembro com a procuradora-chefe do Ministério Público Federal de Minas Gerais, Silmara Cristina Goulart, e com o procurador Eduardo Henrique Soares para debater os rumos da negociação.

A Vale chegou a fazer uma contraproposta de R$ 16 bilhões, valor bem abaixo do estabelecido pelo Ministério Público, a Defensoria Pública e o governo do estado de Minas Gerais. O governo de Minas apresentou uma conta de R$ 26 bilhões que seria o ressarcimento material para recuperação do rio, e também para aquilo que o governo gastou a mais, e o MP avaliou um ressarcimento moral e para as pessoas atingidas de maneira geral um ressarcimento de R$ 28 bilhões. O total seria de R$ 54 bilhões. Este valor foi apresentado à Vale e transformado em ação judicial, disse.

Termos do acordo

Rogério Correia informou que o plano de trabalho da comissão inclui reuniões e audiências públicas para debater os termos do acordo com os atingidos e com especialistas em recuperação judicial. Os deputados da comissão também querem obter um diagnóstico dos órgãos de licenciamento ambiental e fazer um levantamento das proposições legislativas ligadas ao tema.

É um absurdo uma empresa como a Vale, uma das maiores mineradoras do mundo, que foi privatizada com uma mamata, por R$ 3,8 bilhões, e entregaram de graça para esses acionistas que recebem bilhões de lucro todo ano. Uma empresa como a Vale que ganhou de graça uma empresa estatal poderosa e ficar pechinchando depois de dois crimes que cometeu, a Justiça devia ser célere nisso, observou.

Fonte: Monitor Mercantil

Acessem as edições mais recentes das Revistas do Setor de Seguros:

https://www.revistaapolice.com.br/2020/11/edicao-260/ 

https://www.revistacobertura.com.br/revista/revista-cobertura-226/ 

https://revistaseguradorbrasil.com.br/edicao-162/ 

http://insurancecorp.com.br/pt/content/pdf/ic_ed32_2020.pdf 

http://cadernosdeseguro.funenseg.org.br/secoes.php?edicao=197 

https://revistasegurototal.com.br/wp-content/uploads/2020/10/212web.pdf