QUANDO É IMPORTANTE CONTRATAR SEGURO

28, Dez. 2020

QUANDO É IMPORTANTE CONTRATAR SEGURO

Diz a voz do povo que a melhor forma de não se correr riscos é não fazer nada. Em princípio, ou melhor, parcialmente, é verdade. Veja o exemplo do homem que foi atingido por uma bala perdida dentro de um ônibus no Rio de Janeiro. Ele não estava fazendo nada e foi atingido por um tiro que não era destinado a ele. Alguém pode alegar que não é verdade que ele não estava fazendo nada. Estava dentro de um ônibus, sujeito não só a levar um tiro, como, muito mais razoável, ser vítima de um acidente de trânsito, independentemente de sua vontade.

Radicalizando, não fazer nada para não correr riscos seria ficar em casa, deitado na cama, com as portas e janelas fechadas. Mas, mesmo neste caso, não é verdade que não há risco e que não pode acontecer um evento que atinja a pessoa trancada no quarto. Seria possível um avião cair sobre o imóvel, ou um raio, ou outro morador acender um fósforo e causar uma explosão por causa de um vazamento de gás.

A verdade é que viver implica em riscos, tanto faz as medidas que adotemos para evitá-los ou minimizá-los. O risco é parte inerente da vida humana. O que varia são as chances de um determinado evento ocorrer e atingir uma determinada pessoa, seu patrimônio ou sua capacidade de ação.

Riobaldo Tatarana, o narrador de Grande Sertão Veredas, logo no começo do livro afirma: Viver é muito perigoso. Com certeza, é. Que o diga o coronavírus e o estrago que está fazendo ao redor do mundo, sem muita lógica, pelo menos sob a ótica humana, na forma como ataca e contamina as pessoas. Que o digam os eventos de origem climática, causando danos estratosféricos cada vez com mais frequência em áreas onde eram completamente desconhecidos.

Desde antes de descer das árvores e começar a caminhar sobre dois pés, o ser humano é vítima de acidentes e incidentes que cobram seu preço em vidas, bens ou capacidade de ação. Mas ele não é apenas o agente passivo desses eventos. O ser humano também dá causa a acontecimentos que geram enormes prejuízos a ele próprio e a outros atingidos por eles. Sem entrar em questões éticas, as explosões atômicas que atingiram o Japão no final da Segunda Guerra Mundial mostram isso com insofismável clareza. Da mesma forma que os desmandos de políticas econômicas implantadas sem competência e suas consequências também cobram um alto preço do cidadão comum.

Existem diferentes formas de proteção contra os riscos que ameaçam a humanidade. Mas nem todos eles podem ser completamente neutralizados. Ao contrário, boa parte causa perdas importantes, independentemente das ações adotadas.

O seguro é uma ferramenta de mitigação dos prejuízos gerados pela ocorrência desses eventos, seja com ou sem a participação humana. Mas o seguro não evita o dano. O seguro apenas repõe parte importante das perdas decorrentes dos sinistros cobertos. Não tem como a seguradora evitar a materialização do risco ou avocar para si sofrer suas perdas. Uma seguradora não tem o poder de evitar uma tempestade ou impedir um assassinato. O que ela faz é pagar a indenização prevista no contrato de seguro, que, se corretamente contratado, é suficiente para repor o patrimônio do segurado no mesmo patamar em que se encontrava no momento anterior à ocorrência do evento coberto.

Daí ser importante o segurado saber que seguros ele está contratando e se eles são apropriados para cobrir seus riscos. Seguro é um contrato com cláusulas e condições impostas pela seguradora, às quais o segurado adere. O segurado não tem o poder de impor as condições da apólice. O máximo que ele pode é, através de cláusulas especiais e particulares, também desenhadas pela seguradora, proteger com mais exatidão o objeto do seguro.

Assim, antes de contatar um seguro, o segurado deve perguntar se vale a pena comprar a proteção e se ele é a pessoa indicada para contratá-la. Se for, ele deve perguntar se o custo-benefício é satisfatório, se as coberturas são apropriadas para o risco, em que proporção as exclusões podem interferir nas garantias e quais as condições para ele receber a indenização. No final, ele pode descobrir que nem sempre qualquer seguro é a melhor solução.

Fonte: Estadão / Autor: Antonio Penteado Mendonça

Governo quer ampliar consumidores de seguro no campo

A verba do Fundo do Seguro Rural oferecido pelo governo quase dobrou neste ano para R$ 955 milhões, podendo chegar a R$ 1,3 bilhões em 2021

Fonte: Revista Apólice

Investimento financeiro e capacitação profissional. Desta forma o Governo Federal pretende ampliar a penetração do seguro rural para áreas menos atingidas e também para novas culturas. Para o ano civil de 2020, o investimento total da subvenção do seguro rural será de R$ 955 milhões. Para 2021, a previsão orçamentária é de R$ 1,3 bilhão.

De acordo com Pedro Loyola, diretor do Departamento de Gestão de Riscos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, adianta que o objetivo do Governo é entregar o programa com uma cifra de R$ 2,2 bilhões no programa de subvenção, podendo chegar a 30 mil hectares de áreas seguradas. Estas são estimativas, que dependem do comportamento da contratação, porque a demanda é dinâmica, explica Loyola.

No caso do seguro rural as 14 seguradoras que participam do programa são as intermediárias, pois a subvenção é para o produtor. As seguradoras recebem as propostas do produtor e repassam a documentação para o Mapa. Depois, da confirmação da subvenção, ela oferece o desconto para o produtor, com um sistema operacional mais inteligente. O produtor, na legislação atual, tem o poder de escolher com qual seguradora deseja trabalhar, assim como o corretor.

Programas ampliados

No final de junho, o Mapa publicou a Resolução número 75, que aprovou o projeto piloto do seguro rural para operações enquadradas no Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), para algumas culturas específicas. De acordo com Loyola, serão destinados R$ 50 milhões para esta fase.

O objetivo desse projeto é fomentar a contratação de seguro rural para esse público específico, que em muitos casos ainda não conhece como funciona esse mecanismo de mitigação de riscos. Para isso, vamos proporcionar condições diferenciadas no Programa. Além disso, o projeto também servirá para avaliar a capacidade das seguradoras de ofertar produtos compatíveis a esse perfil de produtor rural, explica. Hoje o produtor paga em torno de 3,8% de prêmio. Por isso, vamos trazer a subvenção para que ele possa comparar os produtos e incentivá-los a fazer o seguro agrícola, que é um produto mais moderno que o Pronaf, que remonta à década de 1970 e é muito burocrático, acrescenta o executivo.

Além disso, o Ministério também lançou um aplicativo do seguro rural, com várias funcionalidades que podem ser consultadas pelo produtor rural para auxiliá-lo na contratação do produto. Às vezes, ele não sabe, por exemplo, qual seguradora atua em seu município. O aplicativo PSR (Programa Seguro Rural) disponibiliza a consulta de seguradoras, quais culturas estão disponíveis, dicas de seguro, simulações para saber valor do prêmio e da subvenção. É um aplicativo educativo, consultivo, para disseminação da cultura, ressalta Loyola.

O modelo de contratação do seguro rural remete a um produto mais flexível. É possível fazer uma subscrição mais detalhada, de acordo com os riscos de cada produtor e suas necessidades de coberturas (franquia, nível de cobertura etc).

O projeto piloto do ProAgro pode atender até 25 mil produtores e deve durar de julho a setembro.

Desafios

Para disseminar a cultura do seguro como ferramenta de proteção é preciso dar previsibilidade e consistência para o programa. As metas devem ser mantidas independente de quem esteja à frente do Governo, para que as seguradoras tenham segurança para aderir ao programa.

Estamos trabalhando para fomentar a capacitação de corretores de seguros e peritos agrícolas, para promover o seguro rural com qualidade na subscrição e na regulação dos sinistros. Não adianta ter seguro rural e na hora que precisa não ter perito, não ter serviço adequado etc, avalia Loyola. Para suprir esta demanda, a ENS (Escola de Negócios e Seguros) está em contato com equipes do Mapa para enfrentar estas demandas por capacitação e formação para peritos especializados em seguro rural, bem como no aprofundamento da formação de corretores de seguros que trabalham com seguros rurais.

Nosso curso para Habilitação de Corretores de Seguros conta com a disciplina de Seguros Rurais, oferecida de forma presencial ou em EAD. A ideia agora é aprofundarmos a capacitação, investindo numa formação mais abrangente sobre os produtos atrelados aos seguros rurais, e à inspeção de riscos rurais, destaca Maria Helena Monteiro, diretora de Ensino Técnico da ENS.

A escola estuda agora o curso para a formação de peritos. Segundo Maria Helena, o curso está sendo formatado por especialistas dentro do MAPA e da comissão responsável dentro da FenSeg (Federação Nacional das Seguradoras de Seguros Gerais). A ENS vai participar do processo de seleção da instituição que preparará o programa, pela sua demonstrada capacidade técnica em produzir conteúdo especializado.

O vice-presidente da Comissão de Seguro Rural da Fenseg, Daniel Nascimento, comemora o crescimento do valor da subvenção ao seguro rural, afirmando que é um incentivo para o crescimento da área segurada no Brasil. Todo o recurso disponibilizado pelo Governo será consumido no seguro rural.

O mercado de seguros rural cresceu 35% nos primeiros meses de 2020, apenas o agrícola cresceu 64% no mesmo período.  Até 2019, o seguro agrícola seguia uma tendência de anos anteriores, porque não há subvenção que cubra todo o setor. De R$ 2,4 bi que o mercado fez em prêmio do agrícola no ano passado,  posso afirmar que 50% disso entrou na subvenção, afirma Nascimento.

A média dos percentuais de subvenção para soja, por exemplo, 25% é o percentual de subvenção que o produtor rural tem direito. Em fruta, o prêmio é agravado pelo risco da atividade e a subvenção pode chegar a 40%.

Em média, 14% a 15% da área plantada tem seguro. Ainda não é possível saber quanto a área plantada com seguro deverá aumentar.

A natureza do seguro rural é catastrófica. Há cerca de 6 a 7 anos, percebemos que o produtor passou a contratar produtos mesmo sem a subvenção, por conta da sua natureza. Ela afeta um município ou região inteira, avalia Nascimento.

A perda cria consciência no produtor rural.

O grande desafio para o mercado segurador é fornecer produtos e serviços para que o produtor rural acompanhe o desenvolvimento da sua lavoura, com o devido sensoriamento. Esta é uma tendência para os próximos anos, confirma Nascimento, acrescentando que isso acontecerá não apenas na subscrição mas também para a regulação de sinistros. Em 2020, o desafio para regular sinistros com a pandemia foi grande, porque o produtor não queria receber o perito, ou o perito não queria ir, ou a cidade estava fechada para receber gente de fora. A alternativa foi pegar dados de entidades da região ou contar com os dados remotos já disponíveis em algumas apólices.

As seguradoras hoje investem para baratear o custo final da regulação dos sinistros. Por isso, companhias e Governo querem investir na criação de ferramentas remotas para treinamento de corretores de seguros e peritos.

Banco de dados mal configurado expôs 500 mil documentos de seguradora

Fonte: CQCS

A empresa britânica de seguros Lloyds of London viu mais de 500 mil documentos internos e confidenciais sendo expostos na internet após uma falha de configuração em servidores Microsoft Azure utilizados por um desenvolvedor de software. Os dados estavam expostos a todos que tivessem o link do banco de dados, sem qualquer tipo de proteção ou exigência de credenciais, expondo dados sigilosos e sensíveis de clientes e colaboradores da própria empresa.

No volume, sob responsabilidade de uma empresa chamada Probase, que produz aplicativos para a Lloyds of London e diferentes companhias, estavam documentos de saúde ocupacional, contratos e apólices de seguro. Entre as exposições mais sensíveis, estão documentos relacionados à promoção ou não de magistrados a cortes oficiais do Reino Unido, com avaliações de desempenho e até comentários de gestores sobre eventuais problemas e comportamento dos colegas.

Informações relacionadas a outras companhias também foram expostas, como contratos com a FedEx para envio registrado de documentos de seguros e reclamações relacionadas à Huel, do ramo alimentício, com direito a relatos pessoais sobre eventuais problemas em produtos e as soluções tomadas pelos representantes da companhia. Era possível encontrar dados pessoais de clientes e colaboradores das empresas envolvidas, assim como cópias de passaportes, detalhes sobre condições de saúde deles, medidas internas, screenshots de sistemas fechados ao público e planilhas financeiras, em um total de 587 mil arquivos completamente abertos a acesso.

De acordo com o pesquisador de segurança digital Oliver Hough, que denunciou a exposição à imprensa britânica, a ausência de diferentes protocolos de segurança chama a atenção, a começar pela ideia de que o próprio servidor estava desprotegido. O especialista também destaca o fato de documentos e backups pertencentes a diferentes clientes estarem juntos em um mesmo banco de dados, além da ausência de tratamento devido às informações altamente sensíveis contidas no volume.

O servidor utilizado pela Probase e envolvido na exposição de dados utilizava um serviço fornecido pela Microsoft chamado armazenamento de blob. Tratam-se, basicamente, de servidores para armazenamento e acesso remoto a dados não-estruturados, focado na economia de custos e em grandes volumes de informação, com foco, justamente, no desenvolvimento de aplicativos e recursos relacionados a Big Data. Isso não explica a mistura entre informações de diferentes clientes, porém, já que a ideia é que eles estariam sendo tratados em instâncias diferentes pelos produtores de aplicativos.

Os arquivos disponíveis datavam a partir de 2013, mas não se sabe ao certo desde quanto o servidor estava acessível. De acordo com as informações da imprensa britânica, o banco de dados foi fechado apenas horas depois da notificação pelo pesquisador em segurança, com a Probase, também, passando a informar seus clientes sobre os problemas de segurança.

Oficialmente, entretanto, não existem relatos de exploração maliciosa ou acesso aos documentos por terceiros, com a empresa afirmando apenas que o volume não está mais acessível e que trabalha com as autoridades de privacidade e proteção de informações do Reino Unido para entender os próximos passos e até que ponto o volume foi acessado indevidamente. A Probase também enfrenta, agora, possíveis sanções relacionadas a leis de privacidade em vigor no território.

FUTURO PROMISSOR

Claudia Bethlem é bióloga e consultora ambiental independente com mestrado em Oceanografia

Na reta final de 2020, nosso primeiro pensamento é agradecer. É o momento também de avaliarmos o ano, para que possamos entrar em 2021 com uma visão alinhada ao desenvolvimento sustentável.

Se a pandemia de Covid- 19 trouxe estresse para to dos os setores da nossa vida, a área ambiental recebeu alguns desafios a mais, talvez causados por uma percepçao diferenciada sobre a questão ambiental no mundo.

Enquanto a desaceleração económica resultante da pandemia reduziu temporariamente as emissões de gases de efeito estufa, os níveis de dióxido de carbono, óxido nitroso e metano ainda estão aumentando, com recorde na quantidade de C02 na atmosfera. Apesar dessa tendência preocupante, prevê-se que a produção de combustíveis fósseis, responsável por uma proporção significativa dos gases com efeito de estufa, continue a crescer.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou recentemente que a luta contra a crise climática é a principal prioridade para o século 21 Segundo ele, a mudança para uma economia verde criará empregos e um ganho económico direto de USS 26 trilhões até 2030, em comparação com os negócios normais. E é provável que seja uma estimativa conservadora.

Como faremos para aumentar a produção e ao mesmo tempo reduzir as emissões? O que sabemos é que as energias renováveis são mais limpas e mais acessíveis do que o carbono fóssil.

A boa notícia é que a tecnologia para chegar ao net zero existe e é acessível. Em 2021 , a corrida para tornar realidade todos os compromissos e metas dos países e das grandes empresas na redução de suas emissões de gases de efeito estufa ocorrerá em paralelo a um grande crescimento económico.

Fornecedores já se organizam para proporcionar às majors produtos que incorporem a redução das emissoes. A inovação passa a ser mola propulsora dessa economia de baixo carbono. Há um compromisso das empresas em zerar suas emissões, inclusive de escopo 3, mas várias alternativas estão sendo testadas no momento, pelo mundo todo, como o green hydrogen.

O investimento em novas tecnologias para veículos e embarcações elétricas ou híbridas, movidas a energias renováveis ou biocombustíveis, será fundamental para reduzir fontes de emissões prioritárias como as da área de transporte. Restará, ainda, o desenvolvimento de mais tecnologias de remoção de carbono da atmosfera, inseridas em um rol enorme de soluções baseadas na natureza (florestas, manguemis, recuperação dos solos).

O setor privado vem tomando a dianteira de muitas inciativas, na esteira dos fundos verdes internacionais, que já injetam milhões de dólares em projetos no Brasil. No entanto, os setores de navegação e aviação ainda se encontram tímidos em seus processos de descarbonizaçáo.

Com a vitória de Joe Biden para a presidência dos Estados Unidos, sentimos o movimento climático e toda a sustentabilidade ganhar oxigénio para acelerar o crescimento que veio amadurecendo.

A chamada economia azul oferece um potencial ilimitado. Os bens e serviços do oceano já geram US $ 2,5 trilhoes a cada ano e contribuem com mais de 31 milhões de empregos diretos em tempo integral, pelo menos até a chegada da pandemia.

Também há um impulso em direção à neutralidade do carbono, levando em consideração diferentes escalas, claro, de contribuição às emissões globais. Muitas cidades estão se tornando mais verdes, a economia circular reduz desperdícios e as leis ambientais estão se adaptando às demandas do mercado.

O Global Environmenl Facility (GEF), ou Fundo Global para o Meio Ambiente, um dos maiores financiadores de projetos ambientais no mundo, financia 67 projetos nacionais (US 593 milhões), além de 56 inciativas regionais ou globais, nas quais o Brasil está incluído (US 915 milhões).

Uma agenda ambiental positiva é indispensável pa-ra aumentar o estímulo à economia verde. Afinal, em 2020, a sustentabilidade atingiu indivíduos, empresas, negócios e projetos, ganhou prioridade nos investimentos e está mais disseminada no setor empresarial.

Fonte: Brasil Energia

Como será o mundo no pós-pandemia?

Que 2020 foi um marco na história da humanidade moderna, ninguém duvida. Um ano em que o planeta precisou parar bruscamente sua rotina por conta de um vírus invisível e se adaptar a um maior isolamento e a novas regras de convivência. Mas como será o chamado novo normal que viveremos nos próximos anos quando os momentos mais críticos da pandemia passarem? Para o professor do Departamento de Sociologia do Observatório da Inovação da Universidade de São Paulo (USP), Glauco Arbix, esse primeiro momento será bastante diferente.

Acho que vamos ter de conviver com uma situação de incerteza como a gente nunca teve. A incerteza vai exigir uma série de atitudes, desde institucionais, de governo, até supranacionais e individuais. Nós vamos ter mudanças, e rápidas, que certamente vão perdurar por muito tempo, porque é muita ingenuidade acreditar que a vacina resolve o problema dessa pandemia, diz o especialista em entrevista à ANSA.

Para Arbix, a crise sanitária da Covid-19 colocou questões que formam um panorama de incertezas muito grande para o ambiente, para a poluição, para a alteração da saúde. Foram dezenas e dezenas de alertas dados sobre a possibilidade de um novo risco. Aqui no Brasil mesmo, dada a maneira desregrada com que a gente trata nossa floresta, tudo isso nos aproxima da natureza de uma maneira não adequada, e por isso que o vírus pula para nós, pontua.

Um dos principais pontos positivos que ocorreram em 2020 e que deve permanecer para o futuro é a grande troca de informações científicas de maneira completa e rápida, o que permitiu o desenvolvimento em tempo recorde de vacinas contra a Covid-19.

Não só na forma de buscar conhecimento, mas nas formas como os processos mudaram. Veja, estamos fazendo uma coisa que era impensável há cinco ou seis anos, que é chegar, em menos de um ano, a ter duas ou três vacinas com possibilidades reais de serem eficazes. Isso, do ponto de vista da ciência, é um feito, é histórico. Você tem novas ferramentas, novos instrumentos científicos e tecnológicos e, fundamentalmente, o mais importante e que tem um peso enorme foi a troca rápida de conhecimento no mundo todo, acrescenta Arbix.

Já para Elaine Marcial, coordenadora do Grupo de Pesquisa e Estudos Prospectivos da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília, além dos investimentos e dos avanços na ciência, outra questão que a pandemia trouxe é o fato de que o mundo se deu conta, especialmente nos países mais desenvolvidos, de que não se pode deixar a produção de determinados itens essenciais na mão de um só fornecedor.  

A China se transformou no principal fornecedor do mundo, de tudo. Em áreas estratégicas, você não pode ficar na mão de um fornecedor, e a saúde é uma área crítica. Se você lembra, no início da pandemia não tinha máscara, não tinha EPIs de maneira geral. Já existem pesquisadores que falam que essas ondas podem voltar a ocorrer. E aí? Você vai ficar parado?, questiona Marcial em entrevista à ANSA.  

Sociedade: Para a pesquisadora, algumas das mudanças mais significativas do futuro serão sentidas na questão do emprego e do desenvolvimento da sociedade.

Uma das grandes mudanças que vamos ter é com relação ao ambiente de trabalho. Acredito que o trabalho remoto veio para ficar, não na proporção que está hoje, mas acredito que muitas organizações vão ampliar a quantidade de pessoas em trabalho remoto muito por conta da redução de custos. Isso acaba trazendo outros impactos na sociedade, por exemplo, você vai ter menos pessoas circulando, então você pode reduzir o número de carros em circulação, o que tem um impacto na poluição, ressalta.   

Outro ponto levantado é que a pandemia acabou acelerando o investimento em automação e nas tecnologias de informação e comunicação (TICs), e isso não tem volta. Investimento em automação e TIC pode fazer com que, na 'nova normalidade', você não recupere, na sua totalidade, o número de empregos que foram fechados durante esse processo mais intenso da pandemia. É o que a gente chama de desemprego estrutural, destaca.

Sobre os comportamentos sociais, a coordenadora diz ainda que duas coisas a fazem refletir sobre o longo prazo: a pirâmide etária e a natalidade, visto o que já aconteceu com a humanidade em outros momentos críticos da história moderna.   

Tenho alguns questionamentos sobre como vai ficar nossa pirâmide etária porque como é tudo muito recente, você não sabe como vão ser as consequências dessa doença. Até a Covid, nós vivem um momento de aumento da expectativa de vida. A Covid vai deixar sequelas suficientes no organismo das pessoas para reduzir a expectativa de vida? Essa é uma pergunta ainda sem resposta. A ciência ainda não sabe porque ainda não teve tempo, reflete.  

Marcial ainda lembra que o mundo sempre experimentou aumentos da taxa de fecundidade após eventos com grandes quantidades de mortes, como guerras e epidemias. Mas a nossa sociedade hoje é diferente da sociedade do passado, e aí fica a pergunta: vai haver um aumento da taxa de fecundidade ou não? Porque hoje ela está em queda, diz.

Trazendo a questão para o Brasil, a especialista ainda pontua que o déficit educacional vivenciado aqui deve ter sequelas bastante duradouras. Isso porque a maior parte dos estudantes acabou ficando sem aulas presenciais desde março, com as escolas utilizando o ensino a distância como padrão.  

Nós já tínhamos um problema educacional no país e, na minha visão, isso vai se agravar em função da perda de um ano. Essa perda não é só de conteúdo, mas também cognitiva, porque eles perdem as relações, principalmente as crianças, porque isso já foi verificado após grandes guerras. Os mais novos precisam dessas relações, finaliza. (ANSA). 

Fonte: Noticias uol.com

Pfizer adia entrega de doses da vacina a países da Europa por problema de logística

A informação foi divulgada pelo Ministério da Saúde da Espanha, um dos oito países afetados. O problema foi causado após um incidente logístico na Bélgica

Fonte: Bloomberg

Uma entrega de doses da vacina Pfizer/BioNTech para oito países da União Europeia que aconteceria nesta segunda-feira (28) precisou ser adiada para amanhã, terça-feira (29). O atraso na entrega afeta oito países do continente.

A informação foi divulgada pelo Ministério da Saúde da Espanha, um dos oito países afetados. O país deveria ter recebido cerca de 350 mil doses da vacina da farmacêutica americana. Segundo o órgão, a entrega foi cancelada devido a um incidente logístico em uma das fábrica da Pfizer na Europa, localizada em Puurs, na Bélgica.

Embora outros sete países europeus também tenham sido afetados pelo problema, apenas a Espanha veio a público informar sobre o acontecimento. O ministério espanhol ainda disse desconhecer as outras nações que também sofreram com o adiamento das entregas.

Em uma nota divulgada na manhã desta segunda-feira, o ministro da saúde espanhol garantiu que o problema já foi resolvido e que as doses devem chegar amanhã de manhã. O problema de logística foi confirmado por um porta-voz da Pfizer à agência de notícias espanhola EFE.

Devido a um pequeno problema de logística, remarcamos um número limitado de nossas entregas. O problema de logística foi resolvido e essas entregas agora estão sendo enviadas. Não há problemas de fabricação a relatar, disse a porta-voz do laboratório Dervila Keane, segundo a EFE.

Ainda segundo a porta-voz, a entrega foi adiada devido a um atraso nos embarques, causado por um problema no processo de carregamento e expedição das cargas que continham os imunizantes.

A Espanha é um dos países da Europa que foram mais afetados pela pandemia do novo coronavírus. Desde o início da pandemia, o país registrou 50 mil mortes e mais de 1,8 milhão de casos.

Dificuldades logísticas

Embora o motivo para o atraso das doses não tenha sido esclarecido totalmente, esse primeiro problema logístico evidencia algumas das dificuldades operacionais para a vacinação contra Covid-19, principalmente no caso do imunizante da Pfizer.

A tecnologia empregada na confecção da vacina da Pfizer acarreta algumas complicações de armazenamento e distribuição. Como a vacina utiliza o material genético do vírus (RNA), ela precisa ser armazenada em temperaturas de menos 70º Celsius e transportada até os centros de distribuição em caixas térmicas cheias de gelo seco, projetadas especialmente para o produto.

Fora das temperaturas ultrabaixas, a vacina permanece efetiva por cinco dias, desde que mantida entre 2 e 8 graus Celsius (temperatura de geladeiras comuns).

Vacinação na Europa

Na última segunda-feira (21), a Comissão Europeia concedeu aprovação para o uso da vacina contra a Covid-19 desenvolvida em conjunto pela empresa norte-americana Pfizer e pela farmacêutica alemã BioNTech, permitindo que a Europa comece o processo de imunização em uma semana.

Alguns países da União Europeia, incluindo Alemanha, Áustria e Itália, disseram que a vacinação seria iniciada a partir de 27 de dezembro. Vale dizer que, no continente, o Reino Unido já começou a vacinação e foi o primeiro país no mundo a permitir o uso do imunizante.

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Este ano foi o pior para os brasileiros desde 2012

Pouco mais de sete entre cada 10 pessoas no Brasil (72%) afirmam que o ano de 2020 foi ruim para si e suas famílias. É o que aponta a pesquisa Global Advisor 2021 Predictions, realizada pela Ipsos desde 2012. No histórico do levantamento, o percentual de brasileiros insatisfeitos com o ano que termina nunca foi tão alto. De 2019 para 2020, o crescimento foi de 10 pontos percentuais.

Em 2012, pouco mais da metade dos respondentes no país (52%) consideraram que o ano tinha sido ruim para si e suas famílias. Em 2013, o índice manteve-se estável com um ligeiro declínio (50%). Após uma pausa na condução da pesquisa, os dados voltaram a ser colhidos em 2016, quando 67% dos brasileiros qualificaram o ano como ruim. Em 2017, eram 64% insatisfeitos, que caíram para 59% em 2018 e alcançaram o patamar de 62% no ano passado.

A percepção brasileira do período de 2020 reflete a avaliação global: considerando a opinião de quase 16 mil entrevistados de 31 países diferentes, 70% disseram ter tido um ano ruim no âmbito pessoal. Em 2019, eram apenas 50%. Turquia (89%), Índia (81%) e Itália (80%) são as nações que pior avaliam o ano de 2020; enquanto os respondentes da Suécia (54%), Holanda (55%) e Israel (56%) possuem uma visão menos negativa do ano que termina.

Apesar do sentimento negativo que acometeu o mundo em 2020, 2021 traz esperança: 81% dos brasileiros estão otimistas de que 2021 será melhor do que o ano atual para si e suas famílias. Na média global, são 77%. Os países com maior otimismo são China (94%), Peru (92%) e México (91%). Por outro lado, Japão (44%), França (53%) e Alemanha (63%) são mais comedidos em relação ao ano que está por vir.

Além de uma percepção otimista no âmbito pessoal, a maioria dos entrevistados no Brasil também aposta que o ano que vem trará uma retomada econômica a nível mundial. Seis em cada 10 ouvidos (60%) acreditam que a economia global será mais forte em 2021 do que foi em 2020.

A opinião dos brasileiros é mais positiva do que a média entre as 31 nações: 54% acham que 2021 terá globalmente uma economia melhor do que a de 2020, sendo que China (86%), Índia, Arábia Saudita (ambos com 76%) e Peru (72%) são os mais confiantes e França (31%), Bélgica (37%) e Espanha (40%) são os menos.

A pesquisa foi realizada virtualmente com 23 mil adultos entre 16 e 74 anos de 31 países. Os dados foram colhidos entre os dias 23 de outubro e 6 de novembro de 2020. A margem de erro para o Brasil é de 3,5 pontos percentuais.

Fonte: Monitor Mercantil

Acesse as edições mais recentes das Revistas do Setor de Seguros:

https://www.revistaapolice.com.br/2020/11/edicao-260/ 

https://www.revistacobertura.com.br/revista/revista-cobertura-226/ 

https://revistaseguradorbrasil.com.br/edicao-162/ 

http://insurancecorp.com.br/pt/content/pdf/ic_ed32_2020.pdf 

http://cadernosdeseguro.funenseg.org.br/secoes.php?edicao=197 

https://revistasegurototal.com.br/wp-content/uploads/2020/10/212web.pdf