Pacotes Multirriscos é Realidade

16, Fev. 2021

Setor de Seguros deve aumentar oferta e reduzir preços aos clientes

Seguradoras podem oferecer pacotes com a combinação de vários de tipos de cobertura em uma mesma apólice

Fonte: O Globo

A partir de 1º de março, as seguradoras terão total liberdade para ofertar aos consumidores combos, ou seja, pacotes de serviços com a combinação de vários de tipos de cobertura em uma mesma apólice. Atualmente, isso não é possível. Todos os produtos precisam de aprovação prévia da Superintendência de Seguros Privados (Susep). Mas o governo decidiu liberar o mercado de seguros de danos, destinados a proteger o patrimônio das pessoas e das empresas, como os de vida, residencial e de automóveis.

Segundo o diretor técnico da Susep, Rafael Scherre, o emaranhado de regras atuais torna o processo burocrático e caro, o que dificulta o acesso da população aos seguros: O objetivo da desregulamentação do setor é diversificar os produtos oferecidos, reduzir preços ao consumidor final e ampliar a cobertura do seguro no país. Os produtos poderão ser estruturados de forma flexível, sem análise prévia ou aprovação das condições contratuais.

A nova regra já passou por consulta pública e será divulgada amanhã pelo órgão regulador. A expectativa da Susep é que, já no segundo trimestre, comecem a aparecer produtos com cara nova no setor. Com a mudança, será possível, por exemplo, fazer um seguro residencial para proteger a casa só quando o morador estiver fora, no trabalho ou em viagens, um sistema de liga-desliga. Esse modelo de contratação intermitente já existe para veículos e permite ao motorista acionar o seguro só quando sai da garagem.

Além de danos como furto e incêndio, o seguro residencial poderá prever assistências e serviços de manutenção de geladeira, máquina de lavar, chaveiro e encanamento. O morador poderá incluir ainda coberturas relacionadas a riscos no transporte, nos deslocamentos para o trabalho.

PRODUTOS SOB MEDIDA

O seguro do celular, hoje restrito à cobertura de furto, perda e queda do aparelho, poderá abranger proteção de dados, minimizando assim danos com vazamento de informações - cobertura, aliás, que já está no radar das seguradoras.

Segundo o presidente da Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg), Antônio Trindade, as empresas estão preparadas para anunciar produtos 'feitos sob medida': Como conheço, em tese, quem quero atingir, sei qual é a renda da família, onde mora e quais são suas necessidades imediatas, tamanho de apartamento e atividade econômica, posso colocar em uma única apólice várias coberturas para proteger os riscos que enfrenta no seu dia a dia, explica Trindade.

A nova regra pretende simplificar os contratos para facilitar o entendimento dos consumidores, diz Scherre. Será possível, por exemplo, fazer o pedido de abertura de sinistro e pagamento de indenização por aplicativos e de forma automática em alguns seguros.

Queremos que um mesmo produto possa atender a diferentes necessidades do consumidor. No entanto, esses produtos precisam ser simples, o consumidor precisa compreender o que vai proteger, como funciona, parar com aquela sensação de que vai comprar e quando tiver algum problema não vai receber. Além do preço, diz Scherre.

Segundo ele, a medida deve ampliar a concorrência e impulsionar o mercado de seguros com a cobertura de diversos bens. O líder de mercado hoje é o segmento de veículos e ainda assim somente 30% da frota brasileira é coberta, segundo dados da Susep.

O futuro começa agora

Para o setor segurador, a sustentabilidade sempre foi um pilar insubstituível, afirma presidente da CNseg

Fonte: Poder 360

Em 1987, foi lançado um dos mais importantes documentos sobre a relação do homem com o meio ambiente. Elaborado sob a coordenação de Gro Brundtland, primeira-ministra da Noruega e presidente da Comissão Mundial das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, 'Nosso Futuro Comum' usou, pela primeira vez, a expressão 'desenvolvimento sustentável'. Trata-se de conceito cristalino: é o desenvolvimento que 'satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades'.

Hoje, parece incrível que essa definição tenha soado para muitos, há menos de 3 décadas, como ameaça à prosperidade das nações. A sustentabilidade é um conceito que se firmou como único caminho para fazer frente não apenas às mudanças climáticas, mas também aos desafios econômicos e sociais que se multiplicam pelo mundo. Para o setor segurador, no entanto, a sustentabilidade sempre foi um pilar insubstituível. Por sua própria natureza, o seguro deve, obrigatoriamente, atender ao presente sem comprometer o futuro. Por esse motivo, a CNSeg (Confederação Nacional das Seguradoras) vem reafirmar que as empresas do setor estão credenciadas a dar sua colaboração para que o Brasil faça com sucesso a transição para uma sociedade sustentável.

De início, vale lembrar que desde 2012, quando a ONU lançou os Princípios para Sustentabilidade em Seguros, a CNseg incluiu em sua agenda a integração de critérios ambientais, sociais e de governança (ASG). O caminho provou-se de acerto inequívoco. Hoje está amplamente demonstrado que empresas com boas métricas de ASG são mais resilientes e geram mais valor a longo prazo. Isso acontece porque elas gerenciam melhor os riscos e oportunidades socioambientais e possuem governança robusta, o que lhes permite atravessar com mais tranquilidade períodos turbulentos como os atuais.

Em 2020, a pandemia de covid-19 poderia ter deixado em 2º plano essa questão. No entanto, ocorreu o contrário. A crise sanitária global tornou ainda mais evidente a necessidade de valorizar a sustentabilidade ambiental e a social de médio e longo prazos. Não apenas porque evidenciou a enorme desigualdade no acesso à prevenção e ao tratamento da saúde, mas também porque mostrou como a desaceleração de alguns setores de atividade poluente foi benéfica para o meio ambiente. A crescente consciência da sociedade global sobre os riscos associados às mudanças climáticas fortaleceu-se ainda mais. Nas empresas, essa é uma preocupação que vem à frente dos demais desafios desta segunda década do século 21. A maior gestora de ativos do mundo atesta que nenhuma questão supera o risco climático na lista de prioridades de seus clientes.

Por trás dessa tomada de consciência estão dados alarmantes. De acordo com a Organização das Nações Unidas, o número de catástrofes naturais -inundações, incêndios e furacões, entre outras- decorrentes do aquecimento global dobrou em 4 décadas. De 1980 a 1999, ocorreram 3.656 catástrofes, número que passou a 6.681 de 2000 a 2019. Os prejuízos chegam a US$ 3 trilhões desde 2000, mas o número real é maior, uma vez que muitos países não calculam o impacto dessas tragédias sobre a economia.

Para se ter uma ideia, a quantia equivale à do pacote norte-americano de estímulo à economia no âmbito da pandemia de covid-19. As seguradoras têm também nesse aspecto uma importante contribuição a oferecer: sua experiência em assumir e gerenciar, de forma eficaz, riscos que lhe são transferidos, identificando oportunidades e direcionando investimentos apropriados à dimensão de cada risco. O 'seguro-catástrofe', largamente utilizado em países como o México, que garante a cobertura dos prejuízos provocados por terremotos de intensidade acima da média histórica, é exemplo da importância dessa expertise.

Muitos avanços foram feitos desde o relatório 'Nosso Futuro Comum'. Governos e empresas passaram a levar em conta o impacto ambiental e social de suas ações e a exigir o mesmo cuidado de seus fornecedores e clientes. Bancos têm levado em conta esses mesmos critérios nos financiamentos que concedem. E há um esforço digno de nota em aumentar a transparência no relacionamento com a sociedade.

A CNseg participou da atualização das normas que tornou mais rigorosos os critérios de governança para as empresas investidas e a consideração dos critérios ASG nos investimentos das seguradoras. Atualmente, acompanha a bem-vinda decisão da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) de realizar audiências públicas para estabelecer regras de ASG.

Como um dos maiores investidores institucionais do país, com ativos equivalentes a 27% da dívida pública brasileira, o setor tem recursos e interesse em investir não só em ativos reconhecidamente 'verdes', como a produção de energias renováveis, mas também naqueles que incentivam transição para um mundo sustentável, como o saneamento básico.

A CNseg defendeu a aprovação do marco legal do saneamento porque entende que melhores indicadores de cobertura de água tratada e esgoto sanitário são benéficos para toda a sociedade e podem acarretar a redução dos custos dos seguros de saúde e da pressão sobre o atendimento em decorrência da diminuição das doenças, além da redução das taxas de mortalidade e diminuição da frequência e do impacto de inundações que oneram o custo dos seguros patrimoniais. Com a atualização do decreto de infraestrutura, o marco legal do saneamento também amplia o papel do investimento privado que poderá ser alocado, inclusive pelas seguradoras.

A CNseg comemora os avanços e orgulha-se de ter contribuído para sua implementação e consolidação. Lembramos, no entanto, que para que continuemos a avançar na direção de um futuro sustentável, é preciso que, no presente, a sustentabilidade esteja no centro de todas as decisões. Os Princípios das Nações Unidas para o Seguro Sustentável servem como uma estrutura global para a indústria de seguros abordar riscos e oportunidades ASG. É indispensável a obtenção de um acordo internacional que resulte em critérios adaptados a cada região, que possibilitem comparar e verificar os indicadores e resultados de cada empresa, assim como estabelecer parâmetros transparentes para que um investimento seja considerado sustentável. A padronização das especificações e termos que classificam atividades 'verdes' pode ser de grande valia para isso.

No que se refere à regulação, é essencial que os órgãos responsáveis reconheçam que estamos vivendo um período de transição, que exige diálogo e flexibilidade, para que o indispensável arcabouço legal não se torne entrave ao desenvolvimento de novos produtos. Por último, mas não menos importante, a solidez financeira do sistema precisa ser preservada, para que o setor possa continuar a colaborar com o futuro do país.

Compliance & Governança

Corretor de Seguros é acusado de enganar e sumir com R$ 125 mil de cliente

Fonte: CQCS

A Justiça de São Paulo bloqueou, em dezembro, parte dos bens de Jorge Augusto Pereira Paiva, ex-corretor de seguros de vida que atuava na seguradora Prudential. As informções foram dadas pelo site ‘Portal do BitCoin’. Ainda segundo o portal, ele é acusado de enganar e sumir com R$ 125 mil em bitcoin de um casal de idosos aposentados. Conforme a decisão, Paiva também terá que pagar R$ 30 mil de indenização por danos morais.

O Portal do Bitcoin teve acesso à íntegra do processo, que é público. A defesa das supostas vítimas, identificados como Fernando Antônio Arantes e Rosangela Pereira, informou que o Corretor prestou serviço para a filha do casal no final de 2019, por meio da Prudential. Durante o relacionamento entre os dois, ainda segundo a defesa, o ex-corretor de seguros, proprietário da empresa J&CA Corretora de Seguros de Vida, teria virado amigo dos pais dela e se transformado em uma espécie de conselheiro financeiro antes de aplicar o suposto golpe.

O Diário Oficial de São Paulo publicou, na quinta-feira (15), o juiz José Fernando Steinberg, da 1ª Vara Cível de Campinas (SP), disse que há um grau elevado de culpa dos réus, que obtiveram valores, prometendo remuneração/retorno financeiro impossível.

A reportagem do Portal contatou a Prudential, que não é ré na ação. Em nota, a empresa informou que não faz parte do processo judicial mencionado e, por isso, desconhece os detalhes de seu conteúdo. A seguradora ainda informou que Paiva e a J&CA não fazem mais parte da rede de franquias da Prudential desde setembro de 2019” e que “lamenta qualquer infortuno vivenciado pelo casal.

Curso On Line: Transformação Digital em Gestão de Riscos

Associados da ABGR tem desconto de 20%


CURSO ONLINE: TRANSFORMAÇÃO DIGITAL EM GESTÃO DE RISCOS

TURMA 2021 / Início das aulas: 1º de Março

FÓRMULA DE IMPLANTAÇÃO

O curso TRANSFORMAÇÃO DIGITAL EM GESTÃO DE RISCOS é um pacote completo online que visa a implantação imediata de um programa de gestão de riscos corporativos - ou melhoria de modelo já existente - em qualquer tipo de empresa. Ele é baseado na metodologia Gestão de Riscos Parametrizada.

Trata-se de um curso livre que também é direcionado para profissionais que desejam ingressar na área de gestão de riscos ou se atualizar com as mais atualizadas práticas de mercado no setor.

CONTEÚDO

Consiste em um pacote completo de vídeos, apostilas, questionários, templates, workshops e mentorings ao vivo distribuídos em 10 temas.

INTRODUÇÃO: adapta o aluno à estrutura do curso.

FUNDAMENTOS: apresenta os conceitos de gestão de riscos.

IDENTIFICAÇÃO DE RISCOS: abrange técnicas de mapeamento e identificação de riscos

APETITE E TOLERÂNCIA: trata de apetite, tolerância, retenção e transferência de riscos.

AVALIAÇÃO DE RISCOS: explica técnicas de avaliação e mensuração de riscos.

APRESENTAÇÃO DE RISCOS: aborda as formas de apresentação e as respostas aos riscos.

EFETIVIDADE DOS CONTROLES: orienta o processo de avaliação e melhoria da efetividade dos controles implementados.

MITIGAÇÃO DE RISCOS: direciona as ações necessárias para a aplicação de técnicas visando a mitigação de riscos corporativos.

PLANOS CRÍTICOS: explica e orienta sobre a apresentação dos principais planos críticos para gestão de riscos e crises empresariais.

GOVERNANÇA & MATURIDADE: aborda a governança de riscos e a avaliação de maturidade.

O PROFESSOR

Nelson Ricardo Fernandes Silva: Formado na Academia Militar das Agulhas Negras, Fernandes Silva possui mestrado na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais do Exército e MBA pela Manchester Business School. Fazem parte ainda de sua formação acadêmica extensões na Harvard Business School (Corporative Risk Management Course) e na Risk University (KPMG) nas áreas de gestão de riscos e governança.

Fernandes Silva foi militar de carreira e oficial nas áreas de planejamento e operações do Exército no início da missão de paz da ONU no Haiti (2005). No Brasil atuou como subcomandante e também como Chefe da Divisão de Treinamento do Centro Conjunto de Operações de Paz, ligado ao Ministério da Defesa. Após deixar as Forças Armadas, foi Diretor de Projetos no grupo GV Risco, Senior Manager na Accenture, Gerente Geral de Riscos e Seguros (Projeto Elog) e Diretor Técnico da Brasco Enterprises. É coautor do livro Análise de Risco Parametrizada 2.0 e fundador do Portal da Gestão de Riscos.

COMO FUNCIONA O CURSO?

A solução em gestão de risco baseia-se em três pilares: TRANSFERÊNCIA DE CONHECIMENTO

O aluno aprende os principais conceitos e técnicas de gestão de riscos estudando apostilas, e-books, lendo artigos e assistindo a vídeo-aulas gravadas e sessões de mentoring online ao vivo.

APLICAÇÃO DO CONHECIMENTO

O professor incentiva que o aluno comece a aplicar técnicas de gestão de riscos em seu ambiente de trabalho no decorrer do curso. As informações geradas são então trabalhadas em um software ou manualmente com o objetivo de estruturar um programa de gestão de riscos.

SUPORTE À IMPLANTAÇÃO

Durante as sessões de mentoring, o aluno relata quais dificuldades encontrou ao fazer entrevistas, descrever cenários e montar planejamentos. Os casos são analisados em grupo e o professor esclarece as dúvidas que surgem ao longo do processo.

CARGA HORÁRIA

Somadas, todas as atividades requerem cerca de 90 horas de dedicação. Elas são distribuídas em um período de 60 dias, nos quais os alunos têm acesso à plataforma de estudos Moodle, onde podem ter estudar e baixar o material oferecido no curso. Nesse período também é oferecido acesso gratuito a um software que organiza todo o material coletado pelo aluno nas atividades práticas.

COMO SE ORGANIZAR PARA O CURSO

Vídeo-aulas gravadas, apostilas, e-books e artigos podem ser estudados pelo aluno a qualquer hora, de acordo com sua disponibilidade de tempo. Porém, espera-se que ele siga um roteiro semanal de estudos e atividades para que dúvidas eventuais sejam tiradas nas sessões de mentoring.

As sessões de mentoring ao vivo acontecerão sempre às 20h, com duração aproximada entre 1h30 a 2h. Eles acontecerão nos dias 1, 2, 8, 15, 22 e 29 de Março e 5, 12, 19 e 26 de Abril. As sessões serão gravadas e ficarão disponíveis para os alunos durante todo o curso.

No fim do período, o aluno recebe um certificado de treinamento em gestão de riscos fornecido pelo Portal da Gestão de Riscos. Recomenda-se que o aluno continue a acompanhar nossos perfis nas redes sociais, onde regularmente publicamos revisões e atualização de conteúdo, além de análises e notícias sobre relacionadas à gestão de riscos de forma gratuita.

Perspectivas de Riscos Para 2021

Acesse o estudo da The Global Risks Report 2021: https://www.weforum.org/reports/the-global-risks-report-2021/

Acesse as edições mais recentes das publicações do mercado:

http://insurancecorp.com.br/pt/content/pdf/ic_ed33_2020.pdf

Cyber Risks

A LGPD e a Segurança dos Dados

No mês de janeiro é comemorado o Dia Internacional da Proteção de Dados Pessoais. A data de 28 de janeiro foi escolhida pelo Comitê de Ministros do Conselho da Europa (em 2006) para conscientizar os titulares de dados e usuários sobre a importância da proteção dos dados e estimular as companhias a tratarem os dados coletados e compartilhados com a maior segurança. É interessante comentar que o dia 28 de janeiro não foi uma data escolhida de forma aleatória e sem propósito pelo mencionado Comitê. O dia 28 de janeiro é, na verdade, o aniversário da primeira Convenção Internacional (Treaty 108[1] de 28/01/1981) a qual protege o indivíduo contra abusos que podem surgir com a coleta e o tratamento de dados pessoais. No Brasil, o dia foi comemorado com a publicação da Portaria n. 11, de 27/01/2021[2], a qual tornou pública a agenda regulatória da ANPD para o biênio 2021-2022.

A publicação da agenda é de grande relevância, pois confere uma expectativa cronológica de quando alguns dos pontos relevantes da LGPD serão regulamentados. Nesse sentido, destacamos que foram considerados como prioritários e a serem regulamentados ainda no primeiro semestre de 2021, conceitos fundamentais como: (i) direitos dos titulares de dados pessoais, (ii) definição das sanções administrativas e metodologia de cálculo das multas e (iii) procedimentos de comunicação de incidentes e prazos de notificação, além é claro do regimento interno da ANPD.

A regulamentação desses e de demais pontos da LGPD além da estruturação da própria ANPD para o exercício das suas atividades de regulação são importantes para conferir a segurança jurídica e previsibilidade sobre a proteção de dados, que ainda é um tema recente no Brasil e muitas empresas ainda estão em fase de conscientização e adequação.

A regulamentação desses conceitos é ainda urgente porque A conscientização de adequação às premissas da nº 13.709/18, conforme alterada posteriormente (“LGPD”) é de extrema importância, pois apesar das sanções administrativas pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) entrarem em vigor apenas em agosto de 2021, a LGPD já está em vigor e os titulares de dados que tiverem seus direitos violados, podem ajuizar processos judiciais para a proteção de seus direitos, como de fato tem sido feito.

Nesse contexto, a LGPD é sobretudo relevante no atual cenário em que, por causa da pandemia do novo coronavírus, um número muito maior de pessoas aderiu às transações e trocas de informações pelo meio digital, aumentando, consequentemente, o risco à exposição indesejada dos dados pessoais e sensíveis.

Assim, enquanto aguardamos a regulamentação a ser feita pela ANPD, casos de violação à LGPD ganharam as manchetes. Vamos abordar brevemente abaixo dois desses casos e aplicação da LGPD em cada um deles.

O maior e mais recente caso no Brasil foi o vazamento de dados e que estariam a venda. Segundo informações públicas, um arquivo hackeado continha as informações pessoais e sensíveis de possivelmente 223 milhões de pessoas, tais como nome, endereço, dados do imposto de renda, fotos, scores de crédito, telefone, classe social.

De acordo com a LGPD, os agentes de tratamento (encarregado, controlador e operador) têm a obrigação de adotar medidas de segurança adequadas para proteger os dados pessoais e, caso haja vazamento, comunicar a ANPD. No entanto, será que houve comunicação formal do vazamento à ANPD? Outro caso ocorreu ano passado (2020) envolvendo a Serasa S.A. (Serasa Experian) que é uma marca brasileira conhecida pelas análises e informações para decisões de crédito e apoio a negócios.

Foi ajuizada uma ação civil pública após a Unidade Especial de Proteção de Dados e Inteligência Artificial do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios ter identificado a comercialização de dados pessoais de brasileiros por meio dos serviços oferecidos em sites da Serasa Experian. A referida unidade pleiteou a suspensão da comercialização dos dados o que não foi deferida pelo juiz e de tal decisão houve recurso (agravo de instrumento)[3]. O desembargador da 2ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal concedeu liminar em agravo de instrumento para suspender a comercialização de dados pessoais dos titulares.

Na prática a Serasa estava vendendo os dados pessoais de mais de 150 milhões de brasileiros para empresas interessadas em prospectar novos clientes, sem que exista qualquer tipo de conhecimento por parte dos titulares das informações ou qualquer relação contratual com a compradora dos dados. O propósito dos serviços da Serasa Experian é a proteção do crédito. Portanto, é possível notar que a publicidade dos dados para captação de novos clientes com a venda dos dados vai de possível encontro com os propósitos da Serasa Experian.

Segundo à LGPD, são nulas as autorizações genéricas relacionadas ao consentimento do titular para tratamento de seus dados, devendo haver uma manifestação específica para cada uma das finalidades para as quais há tratamento. Portanto, o Ministério Público do Distrito Federal se manifestou no sentido de que a comercialização pela Serasa seria ilegal ou irregular, pois fere o direito à privacidade das pessoas, bem como seus direitos à intimidade e à imagem, o que inclui o direito à proteção de seus dados pessoais[4].

Adicionalmente aos casos de vazamento acima relatados, muitos trabalhadores vem vêm usando a LGPD para buscar seus direitos na Justiça, tendo em vista que os empregadores não têm cumprido a LGPD. Para ilustrar tal situação, podemos citar o processo trabalhista nº 010 0903-15.2020.5.01.0026 (16ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro) por meio do qual a autora (ex-funcionária) de uma companhia pediu acesso a folhas de ponto e solicitou o termo de compensação de jornada de todo seu contrato de trabalho.

Não obstante a extensão da vacacio legis quanto à parte sancionatória, a LGPD já se encontra em vigor e ganha efetividade a cada dia. Assim, conclui-se que as companhias já possuem uma série de obrigações e deveres a serem cumpridos e observados, os quais podem e serão cobrados, sendo de rigor que estejam em conformidade com esta nova lei.

[1]Convention for the Protection of Individuals with regard to Automatic Processing of Personal Data: https://www.coe.int/en/web/conventions/fulllist/-/conventions/treaty/108

[2]PORTARIA Nº 11, DE 27 DE JANEIRO DE 2021 – PORTARIA Nº 11, DE 27 DE JANEIRO DE 2021 – DOU – Imprensa Nacional (in.gov.br) acessado em 01/02/2021.

[3]Processo 0749765-29.2020.8.07.0000

[4]https://www.tjdft.jus.br/institucional/imprensa/noticias/2020/novembro/tjdftdetermina-a-suspensao-de-venda-de-dados-pessoais-pelo-serasa

Autoras: Raphaela Esperança e Juliana Senna, advogada e sócia do Kincaid Mendes Vianna Advogados

Fonte: Jornal Estadão

Em dois meses, Brasil coloca 4 fábricas de veículos à venda

Uma é da Mercedes-Benz, que produzia carros de luxo em Iracemápolis (SP), e três da Ford na Bahia, Ceará e São Paulo

Fonte: Agência Estado

O Brasil tem hoje quatro fábricas de veículos à venda, cujos fechamentos foram anunciados em dezembro e janeiro. Uma é da Mercedes-Benz, que produzia carros de luxo em Iracemápolis (SP), e três da Ford na Bahia, Ceará e São Paulo.

A planta da Mercedes é a mais nova delas. Inaugurada em 2016, é compacta e bem equipada e, ao lado, tem uma moderna pista de testes. O grupo informa que segue em busca de alternativas e que é primordial garantir um futuro para a fábrica. A venda é uma alternativa.

O complexo da Ford em Camaçari abriga, junto à fábrica de carros, vários fornecedores de peças que eram conectados à linha de montagem. A intenção do grupo é vender as instalações para uma empresa que mantenha a produção de veículos. Esse também era objetivo para a planta do ABC paulista, fechada em 2019. Mas, sem conseguir um comprador do setor automotivo, a área foi vendida para uma construtora e um grupo de investidores. Está sendo preparada para ser um dos maiores centros logísticos do País.

O governo da Bahia já falou com embaixadores da Coreia do Sul, da Índia e do Japão para pedir ajuda na busca de interessados nesses países.

Para a área da filial de motores, em Taubaté, o desejo também é que fique com empresa automobilística, mas as chances são ainda menores do que na Bahia. A prefeitura local informa que, com o governo federal, mantém conversas com um interessado. O governo do Estado estaria falando com dois grupos, mas nomes e setores de atuação não foram revelados.

Orgulho

O prefeito de Horizonte (CE), Manoel Gomes de Farias Neto, conhecido como Nezinho, também torce por um comprador que dê continuidade à produção da Troller que, segundo ele, “é um orgulho para a cidade, gera bons empregos, renda e arrecadação”. A fábrica responde por 4% da arrecadação do município de 72 mil habitantes.

Nesse caso, a Ford pretende vender todo o negócio, ou seja, o comprador terá direito a produzir o jipe T4. Nezinho está em seu quarto mandato e conta que, em sua primeira gestão, doou um pequeno terreno para início da operação da Troller. Horizonte tem 28 indústrias, a maior delas a Vulcabrás, que gera cerca de 10 mil empregos, diz. Trabalhamos para que a Troller permaneça ativa pois é uma marca cearense, horizontina, é um pedacinho do nosso terrão, diz Nezinho, de 61 anos.

Analistas do setor veem poucas chances de as fábricas serem adquiridas por grupos automotivos em razão da alta ociosidade em que a indústria automotiva no Brasil e no mundo. O País tem capacidade para produzir de 4,5 milhões a 4,7 milhões de veículos, já descontados números da Ford. O maior volume registrado até agora foi de 3,7 milhões em 2013; neste ano, a projeção é de 2,5 milhões. A indústria mundial produziu 91 milhões de veículos em 2019 e, no ano passado, 76 milhões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Endividamento e inadimplência bateram recorde no fim do ano

Fonte: Monitor Mercantil

A crise causada pela pandemia de Covid-19 fez com que a população brasileira chegasse ao fim de 2020 com maior patamar de endividamento em 10 anos segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), que apontou que 66,5% das famílias se declararam endividadas.

Os indicadores de inadimplência também são preocupantes sendo que 25,5% dos pesquisados declararam ter contas em atraso e 11% declararam sem condição de quitar débitos. A pesquisa foi realizada pela Confederação Nacional de Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Sempre costumo dizer que ter dívidas não é um problema e muitos me questionam, mas a verdade é que o maior problema é não conseguir arcar com esse compromisso, que é justamente o que acontece atualmente com milhões de brasileiros. É preciso mudar o comportamento em relação ao uso do dinheiro para construir uma vida mais sustentável financeiramente, tratar o problema na raiz, evitando assim entrar num ciclo de endividamento, orienta Reinaldo Domingos, do canal Dinheiro à Vista.

Outro levantamento, realizado pela fintech Simplic, mostrou que quase 30% dos pedidos virtuais de empréstimo em 2020 foram para pagar contas, como energia elétrica e água, sendo o maior motivo para solicitação de empréstimos durante o ano. Já o pagamento de dívidas, como cartão de crédito, financiamentos e até outros empréstimos, representaram 22% do total de pedidos. O levantamento também aponta que 14% dos pedidos de empréstimo em 2020 foram para abrir um novo negócio, 8% para reformar a casa ou pagar uma mudança, 7% para pagamento de tratamentos médicos e 4% para comprar ou consertar veículo/carro.