Governo vê risco para privatização da Eletrobras

18, Mai. 2021

Governo vê risco para privatização da Eletrobras

Fonte: InfoMoney

Para integrantes do governo, pontos do parecer da MP da Eletrobras inviabilizariam a privatização; cronograma fica mais apertado

Às vésperas da análise pela Câmara dos Deputados sobre a Medida Provisória (MP) nº 1.031, que trata sobre a capitalização da Eletrobras (ELET3;ELET6), a expectativa pela aprovação em breve da privatização da companhia deu lugar a uma maior incerteza, conforme mais informações sobre o parecer do deputado Elmar Nascimento (DEM-BA), relator da MP, foram sendo revelados.

As reviravoltas sobre a privatização da Eletrobras acabam sendo sentidas na Bolsa: no dia 11 de maio, em meio à expectativa da apresentação do relatório do parlamentar, as ações ELET3 subiram 6,54% e as ELET6 avançaram 4,54%; um dia depois, com os investidores repercutindo alguns novos pontos do texto que foram divulgados, os papéis ON caíram 5,18% e os PN tiveram baixa de 3,47%, para se recuperarem na sessão anterior e ficarem quase estáveis na sexta. Nesta segunda-feira (17), os papéis ELET3 chegaram a cair mais de 3%, mas fecharam quase estáveis: os papéis ELET3 tiveram perdas de 0,6%, a R$ 39,60, enquanto os ativos ELET6 tiveram leve alta de 0,35%, a R$ 40,00.

A primeira versão do texto foi entregue a líderes da Câmara na semana passada pelo deputado e, conforme mais informações foram divulgadas ao longo do dia, o conteúdo não agradou o governo federal, com a avaliação de integrantes do Ministério da Economia e da Casa Civil de que o texto pode inviabilizar a privatização da empresa de energia estatal. Desde então, algumas reuniões estão sendo feitas para que o texto seja mudado, segundo fontes ouvidas pelo InfoMoney. O relatório, vale ressaltar, ainda não foi entregue formalmente.

O primeiro ponto polêmico e que não agradou o governo é sobre uma permissão para que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) passasse a intervir no mercado de energia e evitar concentração de mercado não apenas no caso da Eletrobras, mas em relação a todas as empresas do setor elétrico.

Elmar Nascimento apontou no relatório que uma das ideias é a permissão para que a agência atue se alguma empresa tiver excesso de participação no mercado livre de eletricidade, ambiente em que geradores e comercializadoras podem negociar contratos diretamente com consumidores como indústrias. Essa intervenção ocorreria por meio de leilões nos quais a companhia dominante precisaria vender parte de sua energia.

Em teleconferência com investidores para comentar os resultados da companhia na semana passada, Rodrigo Limp, novo CEO da Eletrobras, já havia alertado que esse ponto do texto poderia colocar em risco o processo de privatização da companhia: Geraria um risco muito grande para o processo de capitalização, haveria incerteza sobre como isso seria tratado e regulamentado para o futuro.

O segundo ponto abordado que desagradou o governo é sobre o tema do empréstimo compulsório. Ele envolve recursos que eram recolhidos de forma compulsória de empresas, por meio de tarifas de energia um pouco mais altas, para financiar investimentos da estatal entre 1976 e 1993, sendo que há diversas contestações sobre os valores devidos nos tribunais superiores. A Eletrobras já teve de provisionar R$ 17,94 bilhões para essa disputa, enquanto o Tribunal de Contas da União (TCU) calculou que as perdas possíveis podem chegar a R$ 79,62 bilhões.

De acordo com o relatório do deputado, haveria uma autorização para conversão de créditos sobre o consumo de energia elétrica em ações. Assim, daria o direito para o detentor desses empréstimos compulsórios capitalizar, ou seja, converter em ações da Eletrobras.

A principal questão é que o preço de referência da conversão equivalente é o valor mínimo das ações da Eletrobras nos cinco dias que antecedem a publicação da MP, em 23 de fevereiro, o que equivale a cerca de R$ 29,50 por ativos da Eletrobras. Essa cotação está cerca de 26% abaixo do valor de fechamento das ações na última sexta-feira (14), de R$ 39,84 para ELET3 e de R$ 39,86 para os ativos ELET6.

Essa medida torna impossível precificar a diluição que os demais acionistas podem ter em função desses detentores de crédito compulsório subscrevendo ações da Eletrobras a R$ 29,50. Será um overhang [excesso de ações no mercado] em um preço que é o menor da Eletrobras nos últimos tempos, aponta um gestor ouvido pelo InfoMoney que está acompanhando o processo de perto.

Para o gestor, além de haver uma dificuldade em precificar essas operações caso alguma empresa ganhe o processo contra a Eletrobras, não há um racional estabelecido para haver essa opcionalidade.

Esse ponto também foi endereçado por Limp durante a teleconferência de resultados. O CEO da estatal destacou que esse tema não deveria ser incluído nas discussões sobre a MP da desestatização, sob risco de atrapalhar o andamento do processo. Ele apontou que qualquer passo nesse sentido muito provavelmente afetaria o cronograma previsto para a privatização.

O terceiro ponto importante do texto faz referência ao montante a ser recebido referente ao reperfilamento do componente financeiro da Rede Básica Sistema Existente (RBSE), ou seja, ativos existentes até maio de 2000 e que não haviam sido amortizados até 2013.

A companhia tem a receber de reembolso R$ 50 bilhões em 15 anos, com o recurso devendo ficar integralmente com a empresa estatal, que conterá as operações da Itaipu e da Eletronuclear após a cisão dos ativos. Porém, não há certeza de como ocorrerá a operação.

Para o gestor ouvido pelo InfoMoney, esse artigo se relaciona a outros incisos do texto que tratam sobre a contratação de 6 gigawatts de despacho de termelétricas (com energias mais caras) e de 2 gigawatts de despacho de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH).

Normalmente, esse despacho é comandado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que vê a demanda dos consumidores por energia e faz o despacho de acordo com a energia mais barata, a princípio de hidrelétricas, indo sucessivamente para outras fontes de energia, a depender dos preços.

Com o texto atual do relator, necessariamente vai haver despacho de termelétricas, sendo que a estatal de energia que surgir com a cisão pagará a diferença dos preços.

Contudo, tanto Eletronuclear quanto Itaipu operam com pouco caixa. Além disso, avalia o gestor, a partir do momento que a empresa estatal tem que bancar todo esse custo de diferença de geração da hídrica para a termelétrica, ela nascerá deficitária, existindo um risco claro do Tesouro ter que vetar o projeto.

O ponto é que, se houver veto a esses artigos, não vai haver a descotização, o que leva à necessidade de muitas alterações no texto para a viabilização da Eletrobras. Assim, o tempo para a aprovação da MP parece cada vez mais curto, uma vez que o texto precisa ser analisado até o dia 22 de junho na Câmara e no Senado para não perder a validade.

A expectativa inicial era de que o texto do relator fosse votado ainda nesta semana mas, com a projeção de que se chegue a um novo acordo sobre o documento nos próximos dias, o gestor ouvido pelo InfoMoney espera que haja a votação somente na semana que vem, tornando o prazo para a votação pelo Senado ainda mais apertado. A princípio, Rodrigo Pacheco, presidente do Senado (DEM-MG), esperava votar o texto em um intervalo de trinta dias após a aprovação na Câmara. Assim, o prazo ficará mais apertado, ainda mais levando em conta que o tema é mais polêmico no Senado, mas o especialista acredita que é possível a votação caso haja um acordo.

Contudo, caso não haja a aprovação até dia 22 de junho, o projeto caducaria e, deste modo, o governo só poderia mandar uma Medida Provisória com o mesmo tema em 2022, um ano eleitoral, tornando bem mais difícil a aprovação.

Elmar Nascimento tem dito a veículos de imprensa que analisará as sugestões enviadas pelo governo antes de tomar uma decisão, ressaltando que o texto votado precisa ter apoio da maioria. Conforme destacou ao jornal O Estado de S. Paulo, um dos trechos mais criticados e que serão retirados, disse Nascimento, é o que dá à Aneel o poder interventor. Não vou insistir nisso se o governo não quiser, afirmou à publicação.

Já com relação ao empréstimo compulsório, Nascimento disse que sua ideia era dar condições para um leilão de deságio mínimo de 70%, de forma que os quase R$ 18 bilhões (provisionados pela Eletrobras) fossem suficientes para limpar o balanço da estatal. Deixei a palavra final para o governo, afirmou. O relator também afirmou ao Valor que o montante total dos recebíveis a serem pagos à Eletrobras ainda estão sendo alvo de negociações.

Desta forma, o cronograma para a votação ainda dependerá da articulação para mudar o texto que, se aprovado como está, não tornaria possível a privatização da Eletrobras. Dependendo das negociações, a votação da matéria poderá ser adiada para a próxima semana.

A princípio, as negociações estão avançando, fazendo inclusive com que as ações da Eletrobras zerassem as perdas na reta final do pregão, com as sinalizações de Elmar de que estaria disposto a retirar os trechos polêmicos que planejava incluir no seu relatório. Isso por conta de um pedido por parte dos interlocutores do Planalto que a proposta ficasse mais enxuta e o mais próximo possível da estrutura original enviada pelo governo.

A expectativa é de que, mesmo sem acordo sobre alguns pontos do documento, a Medida Provisória seja levada à análise nesta semana, sendo que a ideia é deixar que os deputados decidam o que deve permanecer e agilizar a tramitação para o Senado. Porém, mesmo se o Senado tiver um mês para analisar a MP, será necessária uma maior articulação do governo na Casa.

Susep inicia coleta de sugestões para os manuais do Open Insurance

Documentos detalham os requisitos técnicos e procedimentos operacionais a serem observados pelas sociedades seguradoras no ambiente do Open Insurance

Fonte: Susep / Sonho Seguro

Dando continuidade ao processo de implementação do Open Insurance no mercado segurador brasileiro, a Superintendência de Seguros Privados (Susep) irá lançar os manuais do Open Insurance. Para isso e dada a pertinência do tema, a Autarquia receberá, até o dia 17 de junho, sugestões para a elaboração da versão final dos documentos. Esta é mais uma importante etapa para o avanço do projeto, cuja primeira fase de implementação deve ser concluída até dezembro de 2021.

Em processo de consulta pública desde o dia 22 de abril, o Open Insurance é um ambiente que permite o acesso mais fácil para o consumidor aos produtos e serviços de seguros, através do compartilhamento de dados com outras seguradoras ou terceiros, de forma segura, ágil, precisa e conveniente. O projeto permitirá a criação de produtos mais customizados e mais adequados às necessidades dos consumidores e uma funcionalidade mais amigável, o que gerará oportunidades de desenvolvimento para o setor de seguros como um todo.

Com o detalhamento dos requisitos técnicos e dos procedimentos operacionais a serem observados pelas sociedades participantes do Open Insurance, os manuais são ferramentas fundamentais no avanço do processo de implementação do ecossistema.

Serão cinco manuais ao todo. Para a implantação da primeira fase, a Susep irá publicar quatro manuais, que discorrerão, de forma detalhada, sobre os requisitos técnicos e procedimentos operacionais que as sociedades seguradoras deverão observar no ambiente do Open Insurance. Em linha com os manuais apresentados pelo Banco Central para o Open Banking, a Susep está elaborando os manuais de Escopo de Dados e Serviços do Open Insurance, APIs do Open Insurance, Serviços Prestados pela Estrutura Responsável pela Governança do Open Insurance, e Segurança do Open Insurance.

Com o objetivo de compatibilidade entre o Open Banking e o Open Insurance, os manuais, onde possível, possuem estrutura e definições idênticas aos manuais apresentados pelo Banco Central do Brasil para o Open Banking. As maiores diferenças entre os manuais elaborados ao se comparar com os manuais do Open Banking podem ser observadas no manual de escopo de dados e serviços que retratam as características de negócio do setor de seguros, previdência complementar aberta e capitalização.

Durante a primeira fase, o Open Insurance irá abranger somente algumas linhas de negócios. Assim, o manual de Escopo de Dados engloba os produtos de seguros compreensivos residenciais, seguros de automóveis, seguros de pessoas, planos de previdência complementar aberta e capitalização.

Segunda etapa

O manual que aborda a Experiência do Cliente do Open Insurance será lançado futuramente, pois faz parte da implementação da segunda fase do projeto, prevista para maio de 2022.

As sugestões para os manuais, cujas minutas podem ser acessadas pelos links abaixo, devem ser enviadas para o e-mail openinsurance@susep.gov.br até o dia 17 de junho. Os e-mails devem, necessariamente, indicar (i) nome e afiliação do autor da sugestão, (ii) o manual que está sendo feita sugestão e (iii) a seção do documento.

OPEN INSURANCE: AVANÇO, SOLUÇÃO OU JABUTICABA?

A SUSEP (Superintendência de Seguros Privados) vem se esforçando para aprimorar o setor de seguros através de medidas destinadas a aumentar a concorrência, liberar a capacidade de atuação das seguradoras e flexibilizar as normas de controle e supervisão. São passos importantes, visíveis numa série de normatizações administrativas, focadas, principalmente, em dar liberdade para que as seguradoras ofereçam produtos mais afinados com seus objetivos estratégicos e mais próximos das necessidades dos segurados, tanto no que diz respeito a preço, como a abrangência de coberturas. Com certeza, a iniciativa merece o apoio do setor e da sociedade, que, no final, será a grande beneficiária.

Boa parte das regras do setor de seguros envelheceram e deixaram de ser ferramentas de progresso para se transformarem em âncoras, capazes de retardar a capacidade das seguradoras oferecerem produtos mais afinados com as necessidades da sociedade brasileira. O resultado é que o setor de seguros, que nos últimos 20 anos se destacou pela velocidade de crescimento e pela competência em atender os anseios do mercado, está perdendo velocidade e capacidade de inovação, muito porque as regras de controle atam as companhias de seguros que, apesar de uma teórica liberdade de ação, na prática, são obrigadas a submeter seus produtos à aprovação da SUSEP.

Sob este viés, o que a SUSEP vem fazendo é revolucionário. Com a possibilidade de lançarem novos produtos e reverem outros, com liberdade, certamente as seguradoras criarão um ambiente de competição mais acirrada e, consequentemente, vantajoso para o segurado, que terá maior gama de produtos para escolher os que melhor atendem suas necessidades. A liberdade para o desenho das apólices, permitindo a inclusão de diferentes tipos de seguros no mesmo produto, a simplificação de seguros como responsabilidade civil e a revisão das condições para seguros de grandes riscos ressaltam a firme intenção da autarquia em remover as travas e incentivar o desenvolvimento do setor.

Mas entre a intenção e a ação há um espaço que pode levar a equívocos que, em vez de criarem um cenário positivo, podem desarranjar uma atividade que, ao longo do tempo, cresceu e se aprimorou, atingindo grau de profissionalização capaz de garantir seu funcionamento harmonioso.

Entre os vários tópicos que pela complexidade, ineditismo e desconhecimento merecem reflexão, o chamado open insurance ocupa lugar de destaque. A começar pelo fato dele não existir na maioria dos países onde o seguro é desenvolvido, com presença apenas na Grã-Bretanha, o tema deve ser visto com extrema cautela. Quando Estados Unidos, Alemanha, Japão, França, Itália, Suíça e outros países ricos não têm algo parecido com o open insurance brasileiro e a Europa pretende aprofundar o tema apenas em 2022, dispor sobre sua regulamentação exige muito cuidado.

O open insurance apresentado pela SUSEP é uma adaptação do open banking introduzido pelo Banco Central. É aí que é necessário cautela. As operações bancárias e de seguros não são semelhantes, ao contrário, partem de bases diferentes e se destinam a objetivos diferentes. Assim, o que é bom para uma pode não ser tão bom para a outra.

Ninguém é contra a ideia. Ela é muito boa. Mas ela poderá ser um avanço, uma solução ou uma jabuticaba. Existem etapas que precisam ser trabalhadas criteriosamente para não queimar muito do que já foi feito, graças a investimentos e operações de empresas com tradição no mercado. Por exemplo, até que ponto é correto seguradoras com tecnologia de ponta serem obrigadas a abrir suas fontes e dados de produtos que custaram caro para serem desenvolvidos, deixando-os à disposição de outras que chegaram ontem? Até que ponto o open insurance, ao introduzir as figuras inéditas de uma iniciadora e uma “corretora virtual, ambas monopolistas, não está abrindo espaço para a exclusão dos corretores de seguros? Neste momento, perguntas fundamentais não têm respostas.

Fonte: Estadão / Autor: Antonio Penteado Mendonça

Mais grave, segunda onda da pandemia impacta planos de saúde

Custos das quase 700 operadoras com Covid-19 somaram R$ 27 bilhões entre março de 2020 e abril deste ano

Fonte: Valor Econômico

A segunda onda da Covid-19, que veio mais forte do que a primeira, também está afetando com mais intensidade as operadoras de planos de saúde. Isso porque agora há uma combinação do aumento de pacientes acometidos pela doença, que em boa parte dos casos é mais jovem e com isso fica mais tempo internado, com os procedimentos médicos de rotina.

No ano passado, muitas pessoas deixaram de fazer exames, consultas e cirurgias com medo de uma contaminação, mas agora estão voltando a realizá-los tendo em vista o longo tempo sem atendimento médico. Esse cenário já trouxe reflexos nos balanços do primeiro trimestre das operadoras.

A NotreDame Intermédica apurou prejuízo, Hapvida, Porto Seguro e SulAmérica sofreram queda no lucro líquido, que variou de 2% a 23% Já a Bradesco Saúde foi beneficiada em sua última linha do balanço devido a um aumento de receita financeira, mas também como as demais companhias viu sua conta médica subir impactada pela covid.

A Intermédica apurou, no período, um prejuízo de R$ 27,9 milhões, revertendo um lucro líquido de quase R$ 152 milhões do mesmo período de 2020, devido ao aumento das despesas médicas de pacientes com o novo coronavírus. A conta médica desses casos bateu em R$ 264 milhões, nos três primeiros meses do ano. A taxa de sinistralidade (indicador que mede o quanto o plano de saúde foi utilizado) aumentou 10,1 pontos percentuais.

A SulAmérica teve um gasto de R$ 384 milhões com despesas de covid, no primeiro trimestre. Para efeitos de comparação, no acumulado de todo o ano passado, essa conta foi de R$ 840 milhões. Apesar do aumento expressivo, a SulAmérica conseguiu encerrar o primeiro trimestre com queda na taxa de sinistralidade.

Isso porque seguradora teve uma redução no volume de procedimentos eletivos em março deste ano, quando houve um pico de internações e o sistema hospitalar entrou em colapso no país, lembrou Maurício Cepeda, analista do Credit Suisse. Mas a expectativa é que os segurados voltem a agendar esses procedimentos adiados, impactando os próximos trimestres. Acreditamos que o atual patamar de sinistralidade ainda está artificialmente baixo e tem espaço para normalização com a retomada dos procedimentos, destaca relatório da XP.

A Hapvida chegou a registrar 237 internações num único dia nesta segunda onda. Esse volume é 83% superior ao pico da primeira onda, quando o máximo de pacientes internados atingiu 130. A sinistralidade da operadora do Ceará subiu numa escala menor quando comparada a da Intermédica porque praticamente todo seu atendimento é feito em rede própria, o que possibilita o grupo gerenciar os atendimentos.

Segundo dados da Abramge, associação das operadoras de planos de saúde, o custo médio de uma internação de pacientes com covid, atualmente, é R$ 56,9 mil, o que representa um aumento de 38,5% em relação a um antes. Essa alta é devido ao aumento do tempo de internação com pacientes mais jovens, consequentemente mais resistes, elevação de materiais e medicamentos usados nas internações de pacientes com covid.

Levantamento da Fenasaúde, entidade que reúne as seguradoras de saúde, mostra que os custos das quase 700 operadoras de planos de saúde do país com atendimento a pacientes com Covid-19 somaram R$ 27 bilhões entre março de 2020 e abril deste ano. Deste valor, R$ 14,7 bilhões referem-se a gastos com Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O levantamento contemplou apenas as despesas com leitos de internação, leitos de UTI e exames sorológicos e PCR para diagnóstico da doença.

As transformações culturais e o Seguro de Vida no Brasil: perspectivas para o futuro

Fonte: CQCS / Autor: Nuno David, CMO da MAG Seguros

Antes da Covid-19, o seguro de vida era pouco difundido no Brasil, diferente do que era visto em países mais desenvolvidos como Estados Unidos e Japão, em que o mercado já era maduro. A pandemia veio para mudar esse cenário e fazer com que os brasileiros se questionassem: o que acontecerá com a minha família quando eu faltar?.

Essa é, aliás, a primeira pergunta que um vendedor de seguros norte-americano ou europeu costuma fazer a um prospect. No Brasil, porém, essa nunca foi uma abordagem viável, uma vez que os clientes podiam ver nesse vendedor um portador de má sorte, muito por conta do fator cultural do país, raízes religiosas somadas ao otimismo já inerente na população. Com o coronavírus, infelizmente, fomos obrigados a nos deparar com mortes diárias, muitas delas de pessoas próximas a nós, que nos obrigaram a questionar o nosso futuro e o das pessoas à nossa volta. 

Com isso, estamos aprendendo que as crenças culturais e as atitudes herdadas de várias gerações estão passando por mudanças por conta de uma realidade inquestionável. A pandemia fez todo mundo vivenciar o conceito de dissonância cognitiva de uma forma dramática. E os reflexos dessa lição já estão sendo sentidos pelo mercado de seguro de pessoas.

Acresce a isso o enorme potencial de crescimento do mercado no país, principalmente no segmento de produtos de Risco (coberturas de morte e invalidez). A sociedade brasileira está passando por uma transformação cultural acelerada, no seu entendimento da importância e do valor da proteção financeira. Por tudo isso, temos que estar preparados para operar num mercado condenado a crescer, porque ainda é muito pequeno quando comparado ao de outros países.

De acordo com o 7º Relatório de Análise e Acompanhamento dos Mercados Supervisionados (Susep), o percentual de prêmios de Seguros de Vida (Risco) sobre o PIB brasileiro foi de apenas 0,65% em 2019, refletindo uma contribuição para o PIB per capita de R$223. Esse percentual é acrescido pelos produtos de Acumulação, somando 2,43% do PIB (R$838 per capita). Este é um quadro característico de países em desenvolvimento. Nas nações desenvolvidas, o crescimento do PIB é tipicamente acompanhado por um aumento da contribuição do mercado de Vida e Previdência para a sua constituição, configurando assim um duplo crescimento: do PIB e da contribuição de seguros de vida e previdência dentro dele.

Pensando nesse espaço no mercado nacional a ser preenchido, as seguradoras devem investir em práticas e políticas que apoiam clientes e corretores durante toda a trajetória de vida e que podem servir de parâmetro para outros players do segmento. Dentre as ações estão diversificação dos modelos de negócio; a phygitalização dos processos de venda (onde o consumidor pode ter um primeiro contato pela loja online, solicitar uma consultoria a um corretor parceiro que, depois, pode acontecer pessoalmente, por WhatsApp ou videoconferência, conforme comodidade de ambos); desenvolver ofertas para todos os segmentos da sociedade e soluções tecnológicas que se fundam ao negócio.

E o que esperar do mercado após a pandemia? Segundo a Global Data, uma das mais respeitadas consultorias multinacionais de Inteligência de Dados, o mercado de Vida e Previdência é uma das duas linhas de seguro que mais deverão crescer mundialmente (a outra é Saúde). Se esta é a perspectiva mundial, incluindo em mercados desenvolvidos e consolidados, tudo o que vimos até aqui indica um potencial de crescimento ainda maior no Brasil.

Nunca tivemos uma responsabilidade e uma oportunidade tão grandes de cumprir o nosso propósito de prover soluções de proteção individual nos diversos momentos de vida de todos os brasileiros. Do ponto de vista dos profissionais do setor de seguros, cabe a todos estarem à altura deste desafio perante a sociedade. Somos agentes de uma mudança boa e necessária.

Mais de 60% pretendem continuar com trabalho remoto após pandemia

Fonte: Agência Brasil

Levantamento da Hibou apontou como como serão os hábitos e comportamentos com a vacinação e o fim do isolamento, que já dura 14 meses. O chamado home office foi uma grande mudança comportamental no novo normal dos brasileiros, 57,7% dos entrevistados trabalham em casa e 64,8% deles deve manter o mesmo regime de trabalho no futuro. Uma parte de 81,1% fica grudado no celular o dia todo e, desse total, 72% pretende manter o hábito.

Dos 80,6% que se divertem com amigos no Whatsapp, 97,8% continuará brincando nos grupos. Para eventos online de lazer e negócios (56,2%), reuniões virtuais (57,5%) e reuniões de família pela internet (39,3%), respectivamente, o valor de continuidade dessas atividades é 84,3%, 83,4%, 63,5%.

Dos 72,4% que fazem compras em redes de varejo pela internet, 95,6% continuarão no mesmo processo, assim como os que consomem virtualmente roupas e sapatos, dos 68,5% que possuem o hábito, 90,9% devem seguir com o mesmo estilo de compra. A grande mudança ficou com o mercado, já que aqui esse é um jeito totalmente novo de fazer compras e, dos 44,4% que já adotaram essa modalidade, 80,2% continuam da mesma forma com o fim da pandemia.

A saúde física e mental tem um peso ainda maior quando toda a população mundial encontra-se em isolamento social por mais de um ano. No Brasil, a pesquisa também mostrou que, com índice de continuidade acima de 90%, no cenário pós pandemia, ainda serão hábitos atividades como exercício físico ao ar livre (58,9%), tomar vitaminas diariamente (58,3%), meditação (28,2%) e faxina residencial (91,6%). Dormir mais (74%) e usar álcool gel diariamente (96,4%), continuará firme no dia a dia para 82,9% e 88,5%, respectivamente.

Uma maioria de 98,5% utiliza máscara em locais públicos fechados, mas apenas 60,7% continuará usando com o fim da pandemia. Metade dos entrevistados praticam exercícios em casa e 76,8% deve manter o costume.

No setor de cultura, para atividades que precisam ser feitas fora de casa, o cenário não é dos melhores. Apesar de ser uma fatia pequena dos que possuem o hábito de realiza-las de acordo com o novo normal, ou seja, de maneira online, como visitar museus (21%), assistir a peças de teatro (16,2%) e fazer cursos (64,2%), em todos os três casos, mais da metade continuará com a prática sem cair de casa.

Os números são bons para o streaming. Dos que assinam três ou mais serviços (41,9%), 79,5% deve continuar com as assinaturas. Outras atividades devem se manter forte com o fim da pandemia, é o caso dos que leem livros e revistas (99%), dos que fazem maratona de seriados (96,8%), jogam pelo celular (94,2%), ouvem podcasts (93,8%) e jogam games de console (88,85).

Para os que separam um tempo maior para a família (96,5%), se conectaram mais com pais e filhos (90,5%), realizaram pequenos reparos domésticos (79,9%), reservaram um tempo maior para hobbies (83,1%) e fizeram trabalhos manuais (58%), para todos esses, o índice de continuação desses hábitos ficou acima dos 90%. O cenário oposto ficou com as aulas híbridas das crianças, dos 35,5% que mantém essa rotina, apenas 52,1% seguirá o mesmo regime.

Um total de 2.824 brasileiros respondeu a pesquisa de forma digital, entre 25 e 31 de abril de 2021, garantindo resultado com 1,84% de margem de erro. A pesquisa engloba todo o Brasil, níveis de renda ABCD e todas as faixas etárias.

Já estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) concluiu que, em 2016, 745 mil pessoas morreram por acidente vascular cerebral (AVC) ou por doenças cardíacas em consequência das longas horas de trabalho. No momento em que a pandemia mudou profundamente o mundo laboral, os especialistas alertam para um aumento dos riscos associados às longas horas de trabalho e apelam à adoção de uma legislação que limite a carga horária.

No primeiro estudo global sobre os efeitos dos horários excessivos na saúde dos trabalhadores, a OMS e a OIT concluíram que trabalhar 55 ou mais horas por semana aumenta em 35% o risco de morte por AVC e em 17% por doença cardíaca, em comparação com uma semana de trabalho de 35 a 40 horas.

Em 2016, o estudo estima que 745 mil pessoas foram vítimas de doenças provocadas pelo excesso de horas de trabalho: 398 mil morreram de AVC e 347 mil de doenças cardíacas. Entre 2000 e 2016, o número de mortes por doenças cardíacas devido a longas horas de trabalho aumentou 42% e por AVC, 19%.

A pesquisa, publicada nesta segunda-feira (17) na revista científica Environmental International, mostrou ainda que 72% das mortes em consequência da jornada extensa correspondiam a homens com idades entre 60 e 79 anos, que trabalharam 55 ou mais horas por semana entre os 45 e 74 anos.

Segundo o estudo, as pessoas que vivem no Sudeste Asiático e na região do Pacífico Ocidental foram as mais afetadas. Nas regiões com mais leis regulamentadas que limitam as horas de trabalho, como a Europa ou a América do Norte, a incidência de mortes por problemas cardiovasculares é menor.

A OMS e a OIT estimam que quase um em cada 10 trabalhadores em todo o mundo (cerca de 480 milhões) tem de trabalhar mais de 55 horas por semana e esse número está aumentando, pondo ainda mais pessoas em risco de invalidez e morte precoce.

Essa tendência pode ser ainda mais agravada devido à pandemia, que mudou profundamente o mundo laboral. Embora o estudo não tenha incluído o período da pandemia, a OMS lembra que o recurso ao teletrabalho e a desaceleração econômica podem ter aumentado os riscos associados às longas horas de trabalho.

Diante das conclusões do estudo, a Organização das Nações Unidas (ONU) apelou esta segunda-feira a todos os países do mundo para que adotem uma legislação que limite as jornadas em todos os setores.

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